A nova fábrica de linha branca da LG instalada no Paraná ocupa 770 mil metros quadrados, recebeu R$ 1,5 bilhão em investimentos, e terá capacidade para 600 mil geladeiras por ano

A LG inaugurou em Fazenda Rio Grande, região metropolitana de Curitiba, a sua primeira planta dedicada à produção de linha branca no Brasil.

A unidade passa a ser a segunda fábrica da companhia no país, ao lado da planta de Manaus, e terá produção inicialmente concentrada em geladeiras, com perspectiva de ampliar para lavadoras.

As informações foram divulgadas pela própria LG durante a inauguração da fábrica, conforme informação divulgada pela LG.

Investimento, escala e metas de mercado

O investimento na nova planta foi de cerca de R$ 1,5 bilhão, em um galpão instalado em um terreno de 770 mil metros quadrados. A empresa anunciou que a frente de linha branca responde hoje por 38% do faturamento global do seu principal negócio.

A capacidade inicial prevista é de 600 mil geladeiras por ano, o que, segundo a companhia, permite a montagem de uma unidade a cada 14 segundos. A meta da LG é conquistar 20% do mercado de linha branca no Brasil nos próximos anos, em um segmento atualmente dominado por marcas como Brastemp e Electrolux.

O mercado prevê que, só no segmento de refrigeradores, o volume de vendas ultrapasse 6 milhões de unidades ainda neste ano, contexto em que a fábrica buscará fatia relevante das vendas nacionais.

Produção local, nacionalização de modelos e tecnologia

Com a nova planta, toda a produção passará a ser local, o que deve reduzir em até 80% o prazo de entrega ao varejo. A LG informou que os primeiros modelos a saírem da linha serão da família de entrada, começando pela Duplex B472.

Os aparelhos trazem recursos como bivolt, conectividade via Wi-Fi com o aplicativo LG ThinQ, compressor inverter, door cooling e filtros de resfriamento. A empresa pretende, até o final do ano, nacionalizar mais de 25 modelos do seu portfólio.

Para adaptar os produtos ao mercado brasileiro, a companhia trouxe técnicos da Coreia do Sul para “tropicalizar” os equipamentos, avaliando desde o tamanho de freezers, até a disponibilidade de compartimentos e limitações de espaço nas portas das casas brasileiras.

Processo produtivo, controle de qualidade e rastreabilidade

A LG descreveu a planta paranaense como a mais moderna entre seus centros de produção no mundo. O processo de fabricação de uma geladeira leva em média 1 hora e, segundo visitantes da linha, cada produto “nasce com um CPF”, vinculando-o ao sistema global de rastreabilidade.

O galpão abriga salas automatizadas de controle de qualidade, com simulações de ciclos de abertura e fechamento de portas, testes de queda e ensaios de pressão lateral. Segundo a empresa, isso permite avaliar resistência e desempenho em condições de transporte e uso.

O vice-presidente de vendas de home solutions, Rodrigo Fiani, afirmou que “A fábrica tem uma linha única. Geralmente você tem uma linha para uma coisa, outra para outra coisa. É a mesma linha que produz tudo.” A flexibilidade, segundo ele, possibilita produzir vários modelos ao mesmo tempo e atender demandas específicas do varejo.

Operação, logística e planos regionais

No início, a fábrica operará em apenas um turno, com possibilidade de dobrar a produção conforme a demanda. A localização no Paraná foi destacada pela LG como estratégica, por facilitar o escoamento e permitir abastecer o mercado sul-americano nos próximos anos.

Durante a inauguração, o presidente da LG para a América Latina, Daniel Song, disse que o projeto marca o “início de uma fase de grandes oportunidades”, e que a planta será referência da empresa no Brasil e na América Latina.

O slogan oficial da comunicação local será “Brasileira, do jeito que deve ser”, segundo a companhia, como forma de enfatizar a produção adaptada ao consumidor nacional.

Desafios e próximos passos

O ciclo de juros acima dos dois dígitos desde 2022 foi citado como um fator que tornou a obra mais desafiadora, mas a LG afirmou que o aporte da matriz sul-coreana tornou viável o projeto, sem depender de financiamentos bancários.

O plano da empresa é começar com geladeiras, estabilizar a produção e, em seguida, iniciar a fabricação de máquinas lava e seca. Como disse Rodrigo Fiani, “Começa com geladeira. Estabilizou a produção? Vamos começar lavadora. Depois vamos ver se pra frente tem outra fábrica, se a gente entra em outras categorias. Vamos ampliar, não viemos aqui só para geladeira”.

Com a operação local, a LG busca reduzir prazos, aumentar disponibilidade de portfólio, e disputar participação em um mercado de linha branca que movimenta milhões de unidades por ano no Brasil.


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