Custo médio com saúde de senadores, dez vezes superior ao gasto com deputados e 46 vezes maior que o investimento per capita no SUS, segundo levantamento
Os dados mostram uma diferença marcante entre as despesas com saúde de parlamentares no Senado e na Câmara, e em relação ao Sistema Único de Saúde.
Enquanto a contribuição dos senadores cobre uma pequena parcela do total, na Câmara a autossuficiência é quase total, com saldo positivo no final do ano.
Essas informações constam em levantamento do Ranking dos Políticos a partir de dados da Lei de Acesso à Informação, conforme levantamento do Ranking dos Políticos a partir de dados da Lei de Acesso à Informação.
Quanto custa, na prática, o programa de saúde dos parlamentares
O levantamento aponta que os custos e financiamentos de programas de assistência à saúde de senadores ultrapassaram R$ 40 milhões em 2025. Em média, um senador custou R$ 64 mil aos cofres públicos por ano, ou R$ 5.300 por mês.
Na Câmara dos Deputados, o gasto médio foi bem menor, R$ 6.200 por beneficiário por ano, ou R$ 520 por mês. Na comparação com a rede pública, o investimento per capita no SUS é de R$ 116 por mês, o que torna o custo com senadores 46 vezes maior que o gasto por pessoa no sistema público.
Quem paga a conta, e como está a participação dos parlamentares
No Senado, o custo com indenizações, restituições e pagamentos por tratamentos de longo prazo ultrapassou R$ 40 milhões no ano passado, enquanto os senadores contribuíram com apenas R$ 5 milhões. Isso significa que eles custearam menos de 13% do programa, o restante foi pago pelos cofres públicos.
Na Câmara a situação é distinta, com a Casa gastando R$ 8,2 milhões com a saúde dos deputados, e os parlamentares contribuindo com R$ 8,3 milhões, deixando um superávit no final do ano.
Sobre esse cenário, o diretor de operações do Ranking dos Políticos fez uma avaliação contundente, “Há uma assimetria escancarada no Congresso. Enquanto a Câmara praticamente se autofinancia, o Senado depende de recursos públicos para bancar quase 9 em cada 10 reais gastos com a saúde de seus parlamentares“, afirmou Luan Sperandio, diretor de operações do Ranking dos Políticos.
Como funciona o Programa de Assistência à Saúde dos parlamentares
O Programa de Assistência à Saúde oferece atendimento médico-hospitalar e odontológico aos parlamentares, aos ex-senadores e seus dependentes. Os beneficiários pagam uma contribuição mensal e uma taxa de coparticipação, que variam conforme a Casa e a faixa etária.
No entanto, mesmo com contribuições, a diferença entre os valores arrecadados e os custos efetivos é marcada no Senado, o que torna o programa dependente de recursos públicos.
Propostas para reduzir o subsídio público e ampliar sustentabilidade
O Ranking dos Políticos sugere aperfeiçoamentos para garantir maior sustentabilidade do programa, entre eles a ampliação da participação financeira dos próprios parlamentares, a revisão do limite de idade para dependentes e a redefinição das regras de reembolso para apenas situações excepcionais.
Os analistas destacam que, enquanto mudanças não forem adotadas, “Enquanto o Senado não assumir uma fatia bem maior desse custo, vai continuar sendo o contribuinte, e não o próprio beneficiário, a pagar a conta“, disse Sperandio.
O debate sobre o equilíbrio entre benefícios, contribuições e impacto para os cofres públicos segue aberto, e os números apresentados pelo levantamento do Ranking dos Políticos colocam em evidência diferenças relevantes no tratamento dos gastos com saúde no Congresso.

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