Nos bosques proibidos do Japão, histórias de deuses, samurais e gases letais se misturam às regras que preservam a natureza.

Alguns locais, embora pequenos, carregam séculos de ritualidade, medo e cuidados que limitam o contato humano.

Conforme informações do texto publicado no Terra à Vista, e reportagens do Sora News 24, Japan Today e Unseen Japan.

Irazu-no-Mori, a floresta que não se pisa

Irazu-no-Mori fica atrás do templo xintoísta Keta Taisha, na península de Noto, em Honshu, e tem exatamente 33 mil metros quadrados, segundo o material recebido.

Essa mata perene de itajiis é tratada como um monumento natural nacional, e representa o protótipo dos bosques japoneses, por isso o contato é evitado ao máximo.

Em 2019, por ocasião do entronamento do imperador Naruhito, a floresta abriu ao público pela primeira vez em 400 anos, com visitas controladas e cerimônia de purificação, conforme reportagem do Sora News 24 citada pelo texto.

Durante a visita, algumas áreas proibiam fotografias e até o contato direto dos calçados com o solo, com coberturas de nylon para impedir que as solas tocassem a terra.

Yawata no Yabushirazu, o bambuzal urbano e as lendas de Masakado

No centro de Ichikawa, um bambuzal cercado virou ponto de mistério, conhecido como Yawata no Yabushirazu, e associado ao samurai Taira no Masakado, que no século 10 liderou uma rebelião.

Com o passar dos séculos, Masakado deixou de ser apenas um guerreiro, e passou a figurar como fantasma vingativo, o que alimentou a reputação de local amaldiçoado.

Na entrada do bambuzal, há uma placa instalada por um órgão de educação da prefeitura que diz:

“Este lugar não é particularmente grande nem alto, contudo, nenhum jovem que se aventurou lá dentro retornou. (…) Apesar das descrições detalhadas, a área era unanimemente considerada um lugar onde não se devia entrar. Temia-se que fosse um local de onde ninguém pudesse retornar, e acreditava-se que entrar aqui inevitavelmente traria infortúnio.”

Além da hipótese espiritual, surgiram explicações mais prosaicas, como a de que uma fissura no terreno poderia liberar gás venenoso, observou o site Japan Today, embora a presença de residências ao redor torne essa explicação controversa.

O conceito de kinsokuchi e a proteção xintoísta

No Japão existe um termo para essas áreas, kinsokuchi, ou “terra proibida”, explicado em estudos do xintoísmo da Universidade Kokugakuin, conforme as fontes citadas.

Os kinsokuchis frequentemente ficam dentro dos recintos de um santuário, ou em terras adjacentes, e a entrada é proibida porque se acredita que um espírito divino ali habita, segundo a Enciclopédia do Xintoísmo mencionada no material.

Essa visão faz com que o “outro mundo” esteja presente no dia a dia, em ruas, bairros e encostas, e que locais aparentemente menores sejam tratados com respeito e cautela.

Curiosidade, turismo e limites modernos

O fascínio por esses locais mistura religiosidade, história e folclore, e atrai turistas e curiosos, mas também impõe limites claros, por motivos espirituais e de conservação.

Alguns sítios, como lagos ferventes e nascentes tóxicas do Parque Nacional de Daisetsuzan, são acessíveis apenas com restrições por segurança, conforme apontado pelas fontes utilizadas.

Assim, os bosques proibidos do Japão seguem alimentando narrativas que vão de rituais xintoístas a lendas de samurais e avisos na entrada, mantendo a fronteira entre o visível e o sagrado, a curiosidade e o respeito.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *