Ibovespa fechou quase estável nesta segunda-feira, com pressão negativa de bancos e impacto do pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, ao mesmo tempo em que a alta do petróleo favoreceu ações de energia.
O principal índice do mercado acionário brasileiro encerrou a sessão com recuo marginal, acumulando dez pregões seguidos de fechamento negativo, numa sequência que reabre preocupações sobre volatilidade antes das eleições.
Os dados e as declarações a seguir foram divulgados em reportagem da Reuters, e citam números do pregão e comentários de analistas do mercado, conforme informação divulgada pela Reuters.
Desempenho do pregão e números-chave
O Ibovespa encerrou com decréscimo de 0,09%, a 166.783,57 pontos, após ajustes. Na sessão, marcou 166.463,50 pontos na mínima e 168.006,60 na máxima. O volume financeiro no pregão somou R$ 24,38 bilhões. Com tal desempenho, o Ibovespa atingiu 10 sessões seguidas com fechamento negativo, agora a maior série de perdas desde as 13 quedas seguidas de 1º a 17 de agosto de 2023.
Pressão dos bancos e risco de crédito
Os papéis do setor financeiro estiveram entre os que mais pesaram no índice, com BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) caindo 2,34%, ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) recuando 1,59%, BRADESCO PN (BBDC4) com queda de 1,93%, SANTANDER BRASIL UNIT (SANB11) em baixa de 1,1% e BTG PACTUAL UNIT (BPAC11) que recuou 1,96%.
Henrique Navarro, analista do Santander para o setor, alertou para a possibilidade de o Brasil enfrentar uma crise de crédito estrutural, e não apenas cíclica, segundo relatório citado pela Reuters. O Citi, por sua vez, colocou os papéis do Banco do Brasil sob observação para possíveis catalisadores negativos, avaliando alteração na relação risco versus retorno.
Casas Bahia, impacto no varejo e efeitos para concorrentes
O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia adicionou tensão ao mercado, e provocou movimentos fortes na bolsa. CASAS BAHIA ON (BHIA3), que não está no Ibovespa, desabou 33,33%, a R$ 0,44. A varejista também reportou prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre e informou o fechamento de 298 lojas, com impacto de aproximadamente R$ 17,3 bilhões em pagamentos a bancos, fundos de investimento, seguradoras, fornecedores, além de aluguéis e dívidas trabalhistas.
A notícia acabou beneficiando concorrentes e parceiros em direções distintas, com MAGAZINE LUIZA ON (MGLU3) subindo 8,18%, enquanto MERCADO LIVRE (MELI), listado nos EUA e parceiro das Casas Bahia, caiu 3,09%.
Petrobras, energia e outros destaques
PETROBRAS PN (PETR4) atuou como contrapeso e fechou em alta de 0,9%, alinhada ao movimento dos preços do petróleo no exterior, onde o barril Brent avançou 2,65%, para US$ 90,87. Na sexta-feira, a presidenta-executiva da Petrobras, Magda Chambriard, informou sobre uma descoberta de hidrocarbonetos na Bacia da Foz do Rio Amazonas, em águas ultraprofundas do Amapá.
Outros papéis tiveram desempenho misto, com VALE ON (VALE3) subindo 0,15%, COSAN ON (CSAN3) recuando 2,72% após reportar prejuízo no trimestre e anunciar mudança na diretoria financeira, e VIBRA ON (VBBR3) avançando 0,15% depois de divulgar lucro líquido ajustado de R$ 2,3 bilhões no segundo trimestre, aumento de 365% em relação ao ano anterior.
Visão dos analistas e perspectiva para o mercado
Em relatório sobre sua carteira MVP, os analistas do Citi afirmaram que mantêm alocação tática maior em exportadoras e em empresas não estatais, citando relação risco versus retorno mais favorável nesses ativos, e que têm visão taticamente positiva para o setor de petróleo, dada a redução do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
Os analistas do Citi também destacaram, em texto citado pela Reuters, que “volatilidade permanecerá elevada à medida que as eleições passem a ocupar o centro das atenções, especialmente porque a propaganda política e as atividades de campanha passaram a ser oficialmente permitidas a partir de 16 de agosto”.
Do ponto de vista estrutural, o mesmo relatório observou que “seguimos avaliando que o Ibovespa está barato, negociando a 8,1 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses (P/L forward), o segundo menor múltiplo entre os dez principais índices que acompanhamos”.
Enquanto os investidores monitoram desdobramentos do caso Casas Bahia e sinais sobre crédito, a combinação de fatores locais e externos mantém o Ibovespa em foco, com expectativas de volatilidade elevada nas próximas sessões.

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