Uma amiga de Angelita Manoela Rodrigues, de 40 anos, afirma que o relacionamento com o companheiro era marcado por agressões, humilhações e ameaças constantes.
Segundo a testemunha, Angelita frequentemente ia trabalhar machucada e recebeu ajuda de colegas e amigas na tentativa de se afastar do agressor.
O crime, que ocorreu dentro de um supermercado na zona norte de São Paulo, foi registrado como feminicídio, violência doméstica e prática de abuso a animais, conforme informação divulgada pelo g1.
Depoimento da amiga e sinais de violência
Leila Lira, 45 anos, contou que Angelita e Lafayete Gonzaga da Silva, 40, estavam juntos havia dez anos e que o relacionamento era conturbado, com episódios frequentes de violência doméstica.
Leila relatou que “Ela sempre ia trabalhar com a cara machucada. Todo mundo na empresa sabia”, e que tentou ajudar a vítima oferecendo abrigo e apoio, sem sucesso definitivo.
Segundo a amiga, “Ele era agressivo, dominador, humilhava ela na frente de todo mundo”. As colegas chegaram a alugar uma casa para Angelita ficar longe do companheiro, mas ele foi atrás dela e prometeu que mudaria.
O crime dentro do supermercado
O ataque ocorreu por volta das 13h, na região da praça Santa Clara de Assis, no Morro Grande, quando Lafayete foi até um supermercado e atacou Angelita pelas costas, com facadas.
Imagens de câmeras de segurança registraram o crime. A vítima foi esfaqueada diversas vezes, na fila do açougue, onde havia outros clientes, houve tumulto e correria dentro do estabelecimento.
Algumas pessoas tentaram conter o agressor, que fugiu correndo do supermercado. A Polícia Militar encontrou Angelita ferida com gravidade no local, ela foi levada ao Hospital Municipal da Brasilândia, mas não resistiu aos ferimentos.
Prisão, depoimento e registro do caso
Após o crime, o agressor foi localizado caído em uma calçada com ferimentos nos pés. Antes de atacar Angelita, ele havia matado a cachorra dela a facadas, segundo as informações policiais.
O caso foi registrado na 4ª DDM, Delegacia de Defesa da Mulher, como feminicídio, violência doméstica e prática de abuso a animais. No depoimento, segundo a polícia, afirmou que ‘está arrependido porque a vítima teria acabado com a vida dele’.
O TJ-SP informou que ele passou por audiência de custódia e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva, sem prazo. O processo corre em segredo de Justiça.
Contexto, tentativas de ajuda e reflexos
Leila disse que o agressor bebia muito e que chegava em casa aos sábados para agredir Angelita. Ela foi desligada do trabalho por faltas decorrentes das agressões, e chegou a ficar sem trabalhar por até uma semana em função das lesões.
A amiga contou um episódio em que ele bateu, colocou Angelita para fora de casa e queimou todas as roupas dela, deixando-a apenas com o uniforme, e que ela passou a noite na rua, recebendo ajuda de outras mulheres.
Leila afirmou que Angelita não tinha família em São Paulo, tinha dependência emocional e era muito sozinha, e lamentou não ter conseguido fazer mais para protegê-la. O caso reacende alertas sobre prevenção e acolhimento às vítimas de violência doméstica e sobre a urgência de medidas efetivas para impedir que situações assim terminem em feminicídio.

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