Visita ao navio-sonda Morpho no Amapá reuniu autoridades e evidenciou a importância estratégica do petróleo na Margem Equatorial, e da cadeia de processamento no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou nesta segunda-feira o Amapá para acompanhar a perfuração do poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, em etapa que pode confirmar uma nova fronteira petrolífera brasileira.
Acompanhado do senador Davi Alcolumbre, da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e do governador Clécio Luís, Lula destacou a qualidade do óleo e a necessidade de industrializar recursos no país.
O poço Morpho fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas com 2.886 metros de profundidade, e a Petrobras informou ter encontrado hidrocarbonetos, com avaliação do volume em andamento, conforme informação divulgada pelo g1.
O que foi visto a bordo do navio-sonda
No navio-sonda que perfura o poço Morpho, Lula e a comitiva acompanharam os trabalhos que seguem para confirmar a quantidade e a qualidade das reservas. A companhia afirmou que a descoberta confirma a presença de petróleo, embora ainda não seja possível estimar o volume das reservas, e que a perfuração deve concluir essa fase nas próximas semanas.
Durante a visita, Lula exaltou a qualidade do petróleo, chamado por ele de “maravilhosamente puro”, e afirmou que a descoberta pode funcionar como “um passaporte para garantir um futuro mais tranquilo à família do povo brasileiro”, reforçando a expectativa de impacto econômico regional e nacional.
Apoio político e os projetos encaminhados por Alcolumbre
O presidente fez ainda um agradecimento público a Davi Alcolumbre pelo encaminhamento de propostas consideradas prioritárias pelo Planalto. Lula disse, na íntegra, “Essa semana eu tive uma conversa com o senador Alcolumbre, e ele mandou para as comissões três projetos de importância vital para o Brasil”, citando a PEC da Segurança Pública, a proposta sobre o fim da escala 6×1 e o projeto sobre minerais críticos e terras raras.
Ao falar dos minerais críticos, Lula defendeu que o país deixe de ser apenas fornecedor de matéria-prima e passe a processar esses recursos em território nacional, afirmando textualmente, “Dessa vez a gente não vai deixar que ninguém de fora venha querer explorar o nosso minério, porque nós vamos querer fazer a transformação deles aqui”.
Projeção geopolítica e provocação a Trump
Ao relacionar a nova fronteira petrolífera com a conjuntura internacional, Lula citou a guerra envolvendo Estados Unidos e Irã e fez uma provocação dirigida ao então presidente americano, dizendo, “Se o presidente Trump quiser ficar fazendo guerra com o Irã e fechar o Estreito de Ormuz, nós vamos abrir aqui para o mundo inteiro”, sinalizando a intenção de usar a descoberta como fator de securização e influência geopolítica.
Autoridades locais e da Petrobras observam que, além do potencial energético, a área na Margem Equatorial pode impulsionar investimentos em logística, empregos e na cadeia de transformação de minerais críticos, caso a etapa de avaliação confirme volumes comerciais.
O anúncio e a visita reforçam a narrativa do governo sobre a necessidade de valorizar o processamento em solo brasileiro e alinhar a política energética a objetivos de soberania, desenvolvimento regional e resposta a riscos externos.

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