Vale afirma que a mineração no Brasil precisa retomar mega projetos para aproveitar demanda global por minerais críticos, acelerar investimento e criar uma agenda coordenada entre governo e setor privado
A Vale defende que o país tem capacidade técnica e financeira para acelerar grandes projetos de mineração e expandir sua participação no mercado internacional.
Em evento intitulado “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, a companhia lançou um estudo com propostas para o setor e defendeu uma agenda de Estado para identificar e trabalhar projetos transformacionais.
O conteúdo divulgado pela empresa, com apoio da consultoria Accenture, é uma proposta para ampliar a produção mineral e reduzir gargalos como licenciamento e mapeamento geológico, conforme informação divulgada pela Vale.
Propostas do estudo e metas econômicas
O relatório elaborado pela Vale em colaboração com a Accenture aponta que, com um conjunto de medidas, a produção mineral anual do Brasil pode saltar para até R$535 bilhões em 2035, aumento de 78% na comparação com os cerca de R$300 bilhões atuais.
Entre as medidas sugeridas estão a padronização dos processos de licenciamento, o fortalecimento de órgãos reguladores e ambientais, incentivos à transformação mineral, melhorias na infraestrutura e no fornecimento de energia, e a implementação de uma política nacional para minerais críticos e estratégicos.
Licenciamento, mapeamento geológico e perda de competitividade
O estudo aponta que o Brasil reúne algumas das maiores reservas de minerais estratégicos, mas perdeu competitividade na última década por questões relacionadas ao licenciamento, à infraestrutura e ao conhecimento geológico.
Atualmente, apenas 28% do território nacional possui cobertura geológica considerada adequada para orientar investimentos em pesquisa mineral, segundo o levantamento apresentado pela Vale.
Garantia de segurança e resposta a tragédias passadas
Questionado sobre impacto social e ambiental, o CEO da Vale afirmou que a empresa avançou em processos internos “a partir de muita dor e aprendizado” e citou Brumadinho como marco dessa transformação.
Em suas palavras, “Nós temos capital, temos como fazer, temos conhecimento técnico. A gente precisa entender que esses projetos vão mover o ponteiro, a gente tem a infraestrutura… e a gente precisa acelerar o desenvolvimento desses projetos”, e também declarou, “A gente quer destravar o potencial do Brasil”.
Sobre o rompimento de barragens, Pimenta disse, “Brumadinho foi um momento de muita dor para a companhia, para a sociedade. Nós frustramos a sociedade brasileira naquele momento, geramos muita dor, muito impacto, e desde então a companhia passa por uma profunda transformação”.
Papel do Estado, BNDES e próximos passos
Também presente no evento, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o Estado precisa ser parceiro para acelerar investimentos e que é possível combinar proteção ambiental e exploração mineral, citando a Vale como exemplo.
A proposta elaborada pela Vale será entregue aos candidatos à Presidência nas eleições de 2026, com a expectativa de que uma agenda coordenada entre governo, setor privado e sociedade permita destravar investimentos e aproveitar a crescente demanda por minerais críticos.
Se implementadas, as mudanças prometem ampliar a relevância do Brasil no mercado internacional de minerais, gerar empregos e estimular transformação industrial, mantendo, segundo a empresa, todo o rigor ambiental necessário.

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