Jared Kushner busca acordo complexo, tentando convencer Hamas a desarmar e Netanyahu a permitir retirada e reconstrução, com garantias americanas como moeda de troca
Jared Kushner voltou a atuar como mediador na crise entre Israel e Gaza, em uma articulação que mistura pressão diplomática e promessas de apoio, mesmo sem formação formal em diplomacia.
O plano prevê desarmamento parcial do Hamas, transferência do governo de Gaza a uma autoridade neutra, e retirada de forças israelenses de áreas ocupadas, em troca de reconstrução e garantias de segurança.
É uma proposta que muitos consideram irrealizável, mas Kushner segue insistindo em progressos rápidos, com cronogramas ambiciosos para desativar armas e túneis.
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Uma relação pessoal que pesa nas negociações
O histórico pessoal aproxima e complica, ao mesmo tempo, a presença de Jared Kushner no processo. Segundo o material recebido, Benjamin Netanyahu era tão próximo da família de Kushner que o jovem chegou a dormir no porão para ceder seu quarto ao então político.
Hoje, essa proximidade não garante soluções fáceis, porque o primeiro-ministro enfrenta pressões internas intensas e uma eleição marcada para 27 de outubro, quando qualquer concessão pode ser vista como arriscada.
O núcleo do plano, e as objeções
O cerne da proposta é simples na teoria, e complexo na prática: fazer o Hamas abrir mão das armas, entregar o governo de Gaza a uma entidade neutra, e começar a reconstrução após a retirada israelense das áreas que continuam sob ocupação.
A pergunta central permanece sem resposta, conforme o conteúdo: como o Hamas largaria sua razão de existir, a resistência armada a Israel, e como Israel poderia devolver territórios que potencialmente serviriam de base para novos ataques do tipo que matou 1. 200 pessoas em 7 de outubro de 2023?
Além do mais, o princípio israelense de perseguir e eliminar os responsáveis pelos ataques é firme, e cerca de 1. 500 já foram mortos em operações que Tel Aviv não pretende interromper.
Promessas dos EUA e as citações-chave
No encontro no Egito, Kushner fez uma oferta baseada no pragmatismo. Conforme a fonte citada, “Kushner disse a eles que não há espaço para negociação na questão do desarmamento, mas se eles fizerem avanços reais, os Estados Unidos farão o máximo para que Israel tome medidas recíprocas”.
Ele também apresentou cronogramas otimistas, afirmando que “Pode haver progresso em questão de apenas 30 dias, começando com a retirada de algumas armas”, e que túneis usados pelo Hamas em Gaza começariam a ser desativados “dentro de 60 a 90 dias”.
Essas promessas são arriscadas, porque, mesmo com influência americana, os Estados Unidos não têm poderes mágicos para forçar decisões políticas dentro de Israel.
O desafio político em Israel e o estilo do negociador
Fontes israelenses qualificaram a ideia de Kushner como “politicamente problemático”, já que qualquer sinal de enfraquecimento da segurança pode custar apoio eleitoral a Netanyahu.
Como negociador, Kushner tenta vender o projeto como uma situação “ganha, ganha”, em que avanços de desarmamento em 60 a 90 dias abririam caminho para apoio internacional à finalização do trabalho, ou, caso contrário, maior respaldo para Israel encerrar a ameaça.
O artigo recebido lembra que Kushner aplica táticas vindas do mercado imobiliário de Nova York, onde sua família e Donald Trump atuaram, e que a aposta é alta, com recompensas que vão desde garantias duradouras de segurança para Israel, até justiça e dignidade para os palestinos.
Apesar das críticas e do fato de ser ridicularizado como amador por adversários políticos, Kushner segue adiante, sem formação diplomática formal, buscando uma solução que poucos acreditam ser viável.
O que está em jogo, e o caminho à frente
Se o plano avançar, ainda que parcialmente, a reconstrução de Gaza poderia começar, oferecendo algum alívio a uma população devastada pela guerra, e criando um precedente para negociações futuras.
Se fracassar, a consequência provável é o aprofundamento de desconfianças, e a continuação de operações militares de Israel, que se mantém empenhada em caçar os responsáveis pelos ataques de outubro.
No centro do impasse está a figura de Jared Kushner, que, aos 46 anos, arrisca sua reputação e ambições políticas em um dos cenários mais difíceis da diplomacia contemporânea, enfrentando dúvidas internas e a resistência de adversários extremos.

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