Condenação de Hui Ka Yan intensifica a crise da Evergrande, com medidas judiciais que incluem confisco de bens, multas e penas para executivos em meio ao colapso do setor

Hui Ka Yan, fundador da Evergrande, recebeu nesta quinta-feira uma sentença que marca um novo capítulo na queda da maior incorporadora imobiliária da China.

A decisão do tribunal prevê prisão perpétua e o confisco de todos os bens pessoais de Hui, em um caso que expõe práticas financeiras agressivas e o impacto sistêmico do colapso da empresa.

O contexto e os detalhes econômicos desta condenação, incluindo multas e penas aplicadas a ex-executivos, foram tornados públicos em reportagens recentes, conforme informação divulgada pela BBC News Brasil.

O veredito e as acusações

Segundo o tribunal, Hui Ka Yan se declarou culpado em abril de várias acusações, incluindo apropriação indevida de bens e suborno corporativo. A corte do litoral de Shenzhen também responsabilizou antigas empresas ligadas a ele por uma série de crimes financeiros.

O Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen multou as antigas companhias em um total de 15,82 bilhões de yuans (R$ 11 bilhões), por crimes que incluem falsificação de registros e ocultação de dívidas.

Penas a outros executivos e familiares

Além da pena máxima imposta a Hui, outros executivos da Evergrande foram punidos. Entre eles, os dois filhos de Hui, Xu Zhijian e Xu Tenghe, foram condenados a penas de prisão que variam de 22 meses a 18 anos, segundo relatos da mídia estatal.

As sentenças refletem um esforço das autoridades para responsabilizar gestores por práticas que, na avaliação do tribunal, “perturbaram seriamente” o mercado imobiliário chinês, resultando em perdas econômicas significativas.

Multas anteriores e práticas contábeis

O caso inclui punições aplicadas antes do veredito final. Em março de 2024, Hui foi multado em US$ 6,5 milhões e banido do mercado de capitais da China para sempre, após constatar que a empresa superestimou sua receita em US$ 78 bilhões.

Em abril, o tribunal relatou que a Evergrande havia recebido milhões de dólares em financiamento que foram direcionados para novos empreendimentos, e que centenas de projetos ficaram inacabados quando a empresa passou a ter dificuldades para honrar dívidas.

Ascensão, queda e impacto no setor

Na sua ascensão, a Evergrande tornou-se a maior incorporadora da China, com valor de mercado superior a US$ 50 bilhões, e chegou a representar uma parte importante da economia, em um setor que já respondeu por cerca de um terço do PIB do país em seu auge.

Medidas de Pequim em 2020 para controlar o endividamento do setor, associadas a práticas de expansão financiadas por grandes quantias emprestadas, precipitaram a crise. A empresa sofreu um forte golpe quando passou a vender ativos com descontos e não conseguiu pagar juros, até entrar em colapso em 2021.

A avaliação de mercado das ações da Evergrande caiu 99% antes de suas ações serem retiradas da bolsa de Hong Kong em agosto de 2025, depois de mais de quinze anos de negociação, conforme registros públicos e reportagens.

O que a sentença significa para investidores e economia

A prisão perpétua de Hui e o bloqueio de ativos sublinham a intenção das autoridades chinesas de controlar os riscos sistêmicos ligados a grandes incorporadoras.

Analistas veem o caso como um alerta para investidores e bancos expostos ao setor, em que outros grandes construtores também enfrentam dificuldades financeiras, contribuindo para uma desaceleração prolongada do mercado imobiliário chinês.

Enquanto isso, perguntas sobre a recuperação de projetos inacabados, a proteção de compradores e a estabilidade dos governos locais permanecem centrais, à medida que o país avalia os próximos passos para conter os efeitos econômicos da crise da Evergrande.


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