Queda da Evergrande culmina em sentença vitalícia para o fundador Xu, com liquidação judicial, saída da Bolsa de Hong Kong e efeitos persistentes sobre preços e confiança
A história do que foi a maior incorporadora da China terminou com um desfecho judicial exemplar, e o país agora convive com um mercado imobiliário fragilizado.
A decisão penal contra o fundador marca o fim de um ciclo que começou a afetar famílias, bancos e outras construtoras, gerando incerteza sobre recuperação e políticas públicas.
Os detalhes das fraudes, das sentenças e das medidas de liquidação revelam como o setor perdeu força e por que muitas famílias adiaram compras de imóveis, reduzindo consumo e investimentos.
conforme informações divulgadas pela Justiça
Como o império desmoronou, segundo registros
O colapso do grupo aconteceu após uma combinação de restrições de crédito e má gestão, e, conforme a apuração oficial, “o modelo começou a ruir em 2020, quando Pequim restringiu o acesso ao crédito para conter o excesso de endividamento e o risco de uma bolha imobiliária.”
Com menos financiamento, a Evergrande enfrentou problemas de caixa, acumulou dívidas e deixou de honrar seus compromissos em 2021, segundo o relato das instâncias que conduziram as investigações.
Fraude, condenações e prisão perpétua
O tribunal concluiu que, “entre 2016 e 2021, Xu e a empresa inflaram artificialmente os ativos da Evergrande e ocultaram dívidas por meio de uma fraude financeira em larga escala.”
Além disso, a Justiça apontou uso de subornos para obter controle sobre instituições financeiras, e a apuração registrou que Xu havia se declarado culpado em abril.
O veredito incluiu prisão perpétua para o fundador, cinco executivos condenados a penas de seis a 18 anos de prisão, e 56 pessoas, incluindo dois filhos de Xu, receberam sentenças por crimes relacionados ao caso.
Medidas legais e financeiras, e o fim das ações
Em termos processuais e de mercado houve decisões que encerraram de vez a presença da empresa no ambiente financeiro aberto: “Em 2024, a Justiça determinou sua liquidação e, em agosto de 2025, as ações foram retiradas da Bolsa de Hong Kong.”
A liquidação visou organizar a venda de ativos e pagar credores, mas especialistas apontam que o processo é complexo e que parte das perdas pode se propagar a bancos e fornecedores.
Impacto mais amplo no setor e na economia
A queda da Evergrande não encerrou a crise imobiliária chinesa, os preços dos imóveis novos continuam em queda e os investimentos no setor seguem recuando.
Outras grandes incorporadoras, como Country Garden e Vanke, também enfrentaram dificuldades financeiras, e a retração no setor tem efeito direto sobre construção civil, indústria e consumo.
Enquanto os preços caem e incorporadoras quebram, a confiança das famílias diminui, muitas pessoas adiam compra de imóveis e o valor do patrimônio das famílias é reduzido, pressionando a atividade econômica.

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