Empresário alerta sobre custo do crédito e juros elevados, explica escolha por concentrar empreendimentos no Distrito Federal e destaca planejamento até 2030 como estratégia, planejamento e cautela financeira

O empresário Paulo Octávio defendeu a necessidade de planejamento e cautela financeira e pediu maior participação do setor produtivo nas decisões políticas em fala no 102º Encontro da ABMI, em Brasília.

Ele explicou por que optou por manter os negócios concentrados no Distrito Federal, o impacto das altas taxas de juros no setor imobiliário e como o grupo tem planejado lançamentos e obras com anos de antecedência.

As informações foram apresentadas durante o evento e detalham estratégias do grupo, projeções para shoppings e hotelaria, e o apelo por mais diálogo entre empresários e poder público, conforme informação divulgada durante o 102º Encontro da ABMI.

Decisão pelo Distrito Federal e estratégia de longo prazo

Paulo Octávio justificou a opção por não expandir para outros estados com a complexidade das regras locais, como legislação urbanística, burocracia e normas de ocupação, que aumentam o risco de expansão territorial.

Sobre a escolha geográfica, ele afirmou, de forma categórica, “Nós não temos um metro quadrado fora do DF, porque isso é um compromisso”, destacando a disciplina territorial como parte do planejamento e cautela financeira do grupo.

O empresário também disse que a companhia tem terrenos e projetos planejados até 2030, com programação de lançamentos que garante sequência de obras e preserva a estrutura de profissionais.

Crédito, juros e a necessidade de cautela financeira

Um dos pontos centrais da fala foi o custo do crédito, que, segundo Octávio, compromete a viabilidade dos empreendimentos. Ele relatou a preferência por priorizar recursos próprios diante de financiamentos caros.

Em sua avaliação, taxas elevadas tornam o financiamento bancário uma operação que exige cautela. Ele descreveu o cenário, afirmando “Com esses patamares, vivo realmente pesaroso. Com juros de 18% ao ano é muito difícil para qualquer empresa sobreviver”, reforçando a urgência de ajuste nas condições de crédito.

Além disso, Paulo Octávio defendeu uma gestão pública baseada em planejamento de longo prazo, redução de despesas e maior segurança jurídica, e resumiu sua crítica com a frase “Falta gestão e comando do nosso País”.

Mudança no consumidor, oportunidades em locação e transformação dos shoppings

O empresário apontou que o comprador está mais exigente, atento a detalhes como garagens, elevadores, academias, segurança, tecnologia e soluções ambientais, e disse que “As exigências mudaram, e vão mudar mais”.

Diante do ritmo de vendas, a locação surge como alternativa. Paulo Octávio citou que o grupo chegou a alugar 100 apartamentos em um mês, e prefere manter imóveis como ativos para gerar receita recorrente enquanto aguarda momento mais favorável para venda.

Sobre shoppings, ele observou que esses centros se transformaram, deixando de ser apenas espaços de compra, para se tornarem locais de convivência, com restaurantes, serviços de saúde, barbearias e spas ocupando espaço relevante.

Visão sobre hotelaria, política e legado empresarial

No segmento da hotelaria, o empresário reafirmou o potencial do turismo doméstico e internacional, mas destacou limitações na infraestrutura de transporte como obstáculo ao crescimento.

Com experiência pública, Paulo Octávio defendeu maior envolvimento do setor produtivo na política, sugerindo que empresários participem ativamente das discussões para buscar resultados concretos para a sociedade, acima de disputas ideológicas.

Ao rememorar a trajetória, ele citou o vínculo afetivo com o ofício e a importância da sucessão, mencionando que sua história soma mais de cinco décadas à frente das Organizações PaulOOctavio, mais de 800 empreendimentos entregues e mais de 53 mil carteiras de trabalho assinadas, e declarou “Eu tenho amor pelo que faço. Se tem uma alegria em minha vida, é inaugurar um prédio”.

Sobre o futuro do país, ele manteve o otimismo, afirmando “É um país com potencial total. Tudo para crescer. Faltam duas palavras mágicas: planejamento e gestão”, e conclamou por planejamento e cautela financeira como pilares para o avanço econômico.


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