O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Eduardo Aroeira, traçou um panorama da construção civil brasileira em palestra no 102º Encontro da Associação Brasileira do Mercado Imobiliário, em Brasília.
A apresentação destacou a combinação de atividade econômica em alta, geração de empregos e juros ainda elevados, além da pressão dos custos de insumos e da mudança no perfil da contratação no setor.
Os dados e análises foram apresentados por Aroeira durante o evento, conforme informação divulgada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Cenário econômico e confiança
Para Aroeira, a recuperação da economia convive com uma percepção de risco elevada, por causa das taxas de juros. Ele ressaltou, textualmente, “A economia cresce, mas os juros ainda ditam o risco. Temos uma taxa de juros muito elevada, que precisa voltar a um dígito para termos condições mais favoráveis ao investimento e ao crescimento sustentável do setor”.
O impacto se reflete na confiança das empresas, segundo os dados apresentados, já que o índice de confiança da construção registrou média de 46,4 pontos no primeiro semestre, abaixo da linha de 50 pontos que indica confiança entre os empresários do setor.
Emprego e mudança no perfil da geração de vagas
Mesmo em ambiente desafiador, a construção civil manteve saldo positivo de empregos formais. No primeiro semestre de 2026, o setor registrou saldo positivo de cerca de 169 mil novas vagas formais, ante 158 mil em 2025, conforme os números apresentados por Aroeira.
A taxa de desemprego de 5,4% também foi destacada como sinal de mercado de trabalho aquecido. A apresentação trouxe uma mudança inédita no padrão de contratação, com a infraestrutura ultrapassando, pela primeira vez desde o início da série do Novo Caged, a Construção de Edifícios em número de vagas criadas no primeiro semestre.
Entre janeiro e junho de 2026, foram abertas 64.793 vagas em infraestrutura, crescimento de 30,26% em relação às 49.741 registradas no mesmo período de 2025. A Construção de Edifícios gerou 60.552 postos no mesmo intervalo.
Segundo Aroeira, “Historicamente, a Construção de Edifícios tem sido um grande motor do setor, mas estamos vendo a infraestrutura ganhar força. Esse crescimento é muito impulsionado por investimentos e projetos que começam a se refletir no mercado de trabalho. Os leilões e as Parcerias Público-Privadas realizados nos últimos anos, além dos investimentos associados ao novo marco legal do saneamento, ajudam a explicar esse cenário”.
Custos, industrialização e reforma tributária
Um dos pontos centrais da análise foi a pressão sobre os custos. A CBIC calcula o Custo da Construção Brasil com base nos CUBs estaduais e mostra que o indicador acumulou alta de 7,06% nos 12 meses encerrados em junho de 2026, acima do IPCA, que avançou 4,64% no mesmo intervalo.
Os materiais tiveram elevação de 7,92%, enquanto o custo da mão de obra avançou 6,33%. Alguns insumos tiveram aumentos mais elevados, como o fio de cobre, cujo preço médio nacional subiu 21,35% no período.
Aroeira também abordou a agenda institucional, incluindo a reforma tributária e a discussão sobre redução da jornada de trabalho. Ele afirmou que a entidade tem atuado nas negociações com o Ministério da Fazenda, e citou, na íntegra, “Negociamos bastante com o Ministério da Fazenda e tivemos avanços importantes para a construção civil. Agora estamos discutindo a regulamentação da reforma. É uma luta que continuamos liderando”.
Sobre a eventual diminuição da jornada, Aroeira alertou para impactos na produtividade, nos custos, na organização dos canteiros e na segurança jurídica das empresas, sinais que tornam essencial avaliar efeitos práticos antes de qualquer mudança.
Por fim, o presidente da CBIC destacou a necessidade de ampliar a industrialização da construção como resposta à escassez de trabalhadores, combinando métodos construtivos mais industrializados, tecnologia e qualificação profissional para elevar produtividade e reduzir dependência de processos intensivos em mão de obra.
O panorama apresentado durante o encontro reforça um quadro de avanço do setor, com sinais positivos de emprego e investimentos em infraestrutura, mas com desafios importantes ligados a juros e custos que podem limitar ritmo e escala dos investimentos.

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