A 4ª Rodada de Negócios da Habitação, promovida pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção, reuniu nesta quinta-feira, em Brasília, representantes do setor, do governo e da Caixa para debater o futuro do Minha Casa Minha Vida e do financiamento habitacional.
Entre os temas em foco estiveram a execução do FGTS, o orçamento do Fundo de Arrendamento Residencial, a possibilidade de ampliar contratações em 2026 e a necessidade de retomar a formalização da mão de obra na construção.
O encontro foi descrito pela CBIC como um espaço técnico para propor soluções e mobilizar o Congresso e o setor privado, conforme informação divulgada pela CBIC.
Recursos, metas e execuções previstas para 2026
A discussão central do evento foi sobre as oportunidades para o Minha Casa Minha Vida e a execução do FGTS e do FAR em 2026, com autoridades indicando otimismo sobre a aplicação dos recursos.
Segundo o secretário Nacional de Habitação, Augusto Henrique Rabelo, o governo vai ampliar a execução dos recursos e planeja elevar o ritmo de contratações com foco nas faixas mais baixas de renda. Ele informou que, em relação ao FAR, “autorizamos contratar 30 mil unidades e queremos contratar até 100 mil. Tem cidades que estão com uma demanda represada e estamos focando para que as contratações em todas as modalidades aconteçam de maneira plena.”
O superintendente nacional da Caixa, Alexandre Cordeiro, apresentou dados das contratações realizadas em 2025 e 2026 e reforçou a perspectiva de execução do orçamento disponível até dezembro, com aproximadamente 100 mil unidades da Faixa 1, “Estamos otimistas que vamos conseguir aplicar esse orçamento até o fim do ano”, afirmou.
Recordes de contratação e atenção à inadimplência
Do lado da Caixa, o superintendente de habitação Raul de Oliveira destacou o bom desempenho das contratações, mas ressaltou desafios que exigem ajustes, especialmente nas faixas de menor renda.
“Estamos vivendo o melhor ano, vamos bater todos os recordes de contratação. O momento é muito bom”, declarou Raul de Oliveira, e informou que dados de inadimplência serão divulgados em seguida para subsidiar medidas no programa.
Além disso, foi lembrado o papel do MCMV-Cidades, que agrega recursos federais, aportes estaduais e municipais e emendas, como instrumento com potencial de expansão das ações habitacionais.
Formalização da mão de obra e articulação com o governo
Um ponto sensível levantado na rodada foi a dificuldade que construtoras enfrentam para contratar formalmente trabalhadores. O vice-presidente de Habitação de Interesse Social da CBIC, Clausens Duarte, pediu diálogo com o governo para reverter a situação.
“A colaboração é muito importante dentro da nossa comissão, porque são muitos os temas e contamos com uma participação colaborativa. A gente conta e tem o privilégio de ter colaborando com a gente inúmeros CEOs do Brasil todo”, afirmou Clausens Duarte, destacando a articulação do setor.
Sobre a formalização da mão de obra ele ainda reforçou que “Nós precisamos fazer uma interlocução com o governo para resolver esse problema. Somos um setor que contrata, nossas empresas têm compromisso com a legalidade e não conseguimos contratar com carteira assinada. Precisamos atrair a mão de obra de volta para a formalidade.”
Orçamento, Congresso e próximos passos
A rodada também contou com uma explicação do funcionamento orçamentário feita pelo consultor-geral de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados, Ricardo Alberto Volpe, que ressaltou o papel do Legislativo na definição da aplicação dos recursos.
“Hoje quem manda no dinheiro é o Congresso”, disse Ricardo Alberto Volpe, ao explicar a necessidade de articulação entre CHIS e deputados para abrir novas fontes de financiamento para a habitação de interesse social.
Durante o encontro, foi proposta a criação de um grupo de trabalho da CHIS para dialogar com o Congresso na busca de alternativas de financiamento, com o objetivo de destravar recursos e ampliar a produção habitacional.
O presidente-executivo da CBIC, Fernando Guedes Ferreira Filho, avaliou o evento como um espaço técnico e propositivo para a construção de propostas que possam ser levadas adiante. “O importante é ressaltar e exaltar esse ambiente de discussão. Mais uma vez, não existe um ambiente tão técnico e tão propositivo como a CHIS da CBIC”, declarou.
Além dos citados, participaram da reunião o presidente da CBIC, Eduardo Aroeira, o vice-presidente financeiro Alfre Brêda e Renato Correi, presidente do Conselho Consultivo, reforçando o caráter institucional e técnico do debate.
Em suma, o encontro deixou como resultado a confiança em maior execução de recursos para 2026, a meta explícita de expandir contratações em Faixa 1 e a agenda prioritária de atrair a força de trabalho de volta à formalidade, com o setor e o Congresso apontados como atores centrais para viabilizar esses avanços.

Deixe um comentário