O Bitcoin registrou forte valorização nesta sexta-feira, subindo mais de 8% e sendo negociado próximo de US$ 78.500 nas primeiras horas do pregão.
A alta deixa a criptomoeda a caminho de um ganho acumulado na semana da ordem de 25%, desempenho que, se confirmado, seria o maior desde março de 2023.
O movimento foi impulsionado por decisões do Tesouro dos Estados Unidos, encontros políticos e entradas institucionais no mercado de ETFs de Bitcoin, mudanças que reacenderam o apetite por risco entre investidores, (conforme informação divulgada pela Bloomberg).
Causa imediata da alta e efeito do short squeeze
O otimismo no mercado veio na esteira do anúncio do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, de que o departamento vai pelo menos dobrar o volume de recompra de títulos públicos de prazo mais longo. A decisão contribuiu para reduzir juros de prazos mais longos e amplificar o apetite por risco.
Na prática, parte da alta foi provocada por um short squeeze, que forçou a liquidação de posições baixistas. Segundo dados citados pela cobertura, mais de US$ 2 bilhões em apostas baixistas com Bitcoin no mercado de futuros perpétuos foram liquidados desde 19 de agosto, segundo dados da Coinglass.
Além disso, houve entrada de grandes detentores, as chamadas baleias, que adicionaram cerca de US$ 2,75 bilhões ao token nos últimos 60 dias, segundo a CryptoQuant, outro indicador de maior demanda no mercado.
O que dizem analistas
A analista Rachael Lucas, da BTC Markets, afirmou que “O verdadeiro motor foi a decisão do Tesouro americano de dobrar a recompra de títulos de prazo mais longo, que reduziu os juros de prazos mais longos e ampliou o apetite por risco de forma generalizada”. Ela acrescentou, “Nada mudou a tese de longo prazo do Bitcoin, mas também nada mudou sua volatilidade”.
Para Adam Morgan McCarthy, principal pesquisador da LO:TECH, um contraste importante apareceu entre ouro e Bitcoin ao longo da semana. McCarthy disse, “O ouro carrega o verdadeiro sinal macroeconômico da semana. O metal subiu de forma consistente com a decisão do Tesouro de ampliar a recompra de títulos, sem a compra forçada que inflou o preço do Bitcoin”. Ele completou, “Quem procura onde os investidores estão de fato se protegendo contra os riscos de câmbio e inflação nesta semana encontra a resposta no ouro, não no Bitcoin”.
Papel político e entradas institucionais
Outro fator que reforçou o sentimento foi a reunião do ex-presidente Donald Trump com líderes da indústria de criptomoedas, incluindo executivos de empresas como a Coinbase e a Payward. O encontro foi interpretado como um sinal de apoio do governo ao setor, com Trump pedindo ao Senado a aprovação do Clarity Act, projeto que busca regular a estrutura do mercado de criptoativos.
Na esteira desse ambiente, os ETFs de Bitcoin à vista listados nos Estados Unidos estão em forte ritmo de captação. Segundo a apuração, os 13 ETFs somam mais de US$ 1 bilhão em captações até agora na semana, um retorno de investidores institucionais ao mercado que ajuda a sustentar os preços.
Riscos, recordes passados e contexto
Apesar da recuperação, o Bitcoin ainda está distante do recorde acima de US$ 126 mil, atingido em outubro do ano passado, nível que foi seguido por uma queda que trouxe a criptomoeda para US$ 58.642 no fim de junho. O movimento reforça que, mesmo com quedas e recuperações rápidas, a volatilidade continua presente.
Em resumo, a combinação de políticas de recompras do Tesouro, liquidações de posições vendidas, sinal político favorável e fluxos em ETFs ajudou a impulsionar o preço do Bitcoin nesta semana, mas analistas lembram que a proteção tradicional contra riscos macroeconômicos, nesta ocasião, esteve mais clara no ouro do que na criptomoeda.
Os dados e citações acima foram informados pela Bloomberg, e os números de liquidações e carteiras foram referenciados a dados da Coinglass e da CryptoQuant, conforme a apuração original.

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