O estado enfrenta um problema de grande escala com o sumiço de bens históricos, que envolve peças religiosas, documentos e obras de arte.
O objetivo da nova fase da ferramenta é ampliar as chances de localizar peças que circulam no comércio clandestino e em redes digitais, facilitando a devolução às comunidades.
Mais de 2 mil obras sacras e outros bens culturais estão desaparecidos em Minas Gerais, segundo o levantamento apresentado pelas autoridades, e iniciativas tecnológicas buscam recuperar esse patrimônio, conforme informação divulgada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
O que sumiu, quantos foram recuperados
O inventário aponta que a perda inclui esculturas, imagens religiosas, pinturas e documentos históricos, peças que têm valor cultural e afetivo para cidades e paróquias.
Apesar do número elevado de itens ainda ausentes, aproximadamente 900 bens culturais já foram recuperados ao longo dos últimos anos, de acordo com o MPMG, e parte desse material está sob guarda do Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, em Belo Horizonte.
Entre os casos emblemáticos, está o furto de 21 peças da Matriz de Santo Antônio, em Itatiaia, no histórico vilarejo de Ouro Branco, que inspirou exposições e ações de identificação.
Como a plataforma Sondar foi reforçada
A Plataforma Sondar, criada em 2021 em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), recebeu atualizações que podem acelerar a localização de objetos.
Agora, a ferramenta permite realizar buscas por imagem com auxílio de inteligência artificial, para comparar fotografias de peças suspeitas com o banco de dados existente, ampliando as possibilidades de reconhecimento.
Também houve integração ao Google Lens, permitindo pesquisar imagens semelhantes na internet, além da inclusão de um mapa interativo que mostra as regiões de Minas Gerais com maior concentração de bens retirados de seus locais de origem.
Visibilidade internacional e exposição digital
O trabalho ganhou alcance internacional com o lançamento da Coleção Sondar de Bens Culturais Desaparecidos na plataforma Google Arts & Culture, que reúne imagens e informações para pesquisadores e público.
A primeira coleção reúne cerca de 70 itens, entre peças desaparecidas, objetos recuperados e obras que ainda aguardam identificação, ampliando o alcance das buscas e a possibilidade de denúncias.
Entre os destaques está a exposição “O Vazio no Altar: Retratos da Ausência”, que aborda especialmente os furtos que atingiram comunidades pequenas e mostrou a ausência física e simbólica deixada pelos crimes.
Impacto local e próximos passos
Autoridades esperam que as novas funcionalidades da Sondar auxiliem tanto pesquisadores quanto a população na identificação de peças, aumentando as chances de recuperação e devolução.
O MPMG e parceiros destacam a importância da colaboração de igrejas, museus, antiquários e cidadãos, que podem enviar imagens, informações e sinais sobre transações suspeitas.
Com tecnologia, documentação e visibilidade, o objetivo é reduzir a circulação clandestina, proteger o patrimônio cultural e restituir obras às comunidades de origem.

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