Golpe do financiamento, empresas prometem redução drástica das parcelas e pedem para o cliente parar de pagar, resultado pode ser aumento da dívida e até a perda do imóvel, entenda

Ofertas que prometem cortar pela metade o valor das parcelas soam como alívio para quem enfrenta aperto no orçamento, porém podem esconder fraudes. Vendedores de serviços de revisão atraem consumidores com promessas de soluções rápidas e vencedoras.

O risco real começa quando a empresa orienta o cliente a interromper os pagamentos ao banco ou à construtora, alegando que os valores serão negociados ou depositados em conta de intermediação. Enquanto isso, as parcelas continuam vencendo e os encargos aumentando.

Na avaliação da advogada Stephane Castro, especialista em Direito Imobiliário, esse tipo de promessa tem crescido e levado a perdas patrimoniais, inclusive processos de retomada do imóvel, conforme informação divulgada pela advogada Stephane Castro.

Como o golpe do financiamento funciona

O esquema geralmente segue lógica semelhante, uma empresa procura o consumidor e afirma que existe a possibilidade de revisar o contrato e reduzir as prestações, cobrando pelo serviço.

Segundo a especialista, “Empresas que atuam como intermediárias abordam consumidores com a promessa de identificar supostos juros abusivos e negociar diretamente com bancos ou construtoras para reduzir significativamente o valor das prestações”, revela.

Na sequência, o cliente é orientado a suspender o pagamento ao credor e a transferir os valores para uma conta indicada pela empresa, com o argumento de que o montante será usado durante a negociação. “Na prática, a realidade vem sendo outra”, afirma a advogada.

Sinais de alerta para identificar a fraude

Desconfie de promessas milagrosas de redução muito grande das parcelas, de garantias de que o banco será obrigado a aceitar a negociação e de orientação para parar de pagar o financiamento imediatamente.

Outros sinais de risco incluem pedido para transferir o dinheiro das parcelas para conta de terceiros e promessas de solução rápida para contratos que já apresentam problemas. Essas condutas aumentam a probabilidade de inadimplência e de perda do imóvel.

O que fazer antes de aceitar revisões ou intervenção de terceiros

Não interrompa os pagamentos do financiamento por orientação informal, mesmo que uma empresa prometa negociar o contrato. Um dos alertas centrais da advogada é claro, Não pare de pagar, porque a dívida original continua existindo e os efeitos da inadimplência podem ser graves.

Antes de contratar qualquer serviço, confira quem está oferecendo, peça informações detalhadas por escrito, leia o contrato e procure um advogado especializado. Em casos de dúvidas sobre cobranças, avalie a possibilidade de depositar judicialmente os valores das parcelas, sempre com orientação de um advogado.

Se você já foi vítima, como agir

Ao perceber que os pagamentos não foram direcionados ao credor e que a dívida segue aumentando, procure assistência jurídica imediatamente e reúna comprovantes de pagamento e comunicações com a empresa intermediária.

Em financiamentos imobiliários, a rapidez é essencial, porque dependendo do estágio da inadimplência o imóvel pode entrar em processo de retomada, “Quando o consumidor toma conhecimento disso, às vezes já é tarde demais”, afirma a advogada.

Registre a ocorrência em órgãos de defesa do consumidor e, se houver indícios de crime, registre boletim de ocorrência para proteger seus direitos e facilitar eventuais medidas judiciais de recuperação do montante ou de suspensão de execução.


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