Primeira eleição estadual em Alagoas sem Collor nem sucessor político, eleição estadual em Alagoas sem Collor revela fim de uma era de poder, mídia e influência no estado

A ausência da família Collor nas urnas abre um capítulo inédito na política de Alagoas, depois de décadas em que nomes e empresas do grupo marcaram disputas e mandatos.

O que era uma dinastia política e midiática, mudou com derrotas eleitorais, condenações e problemas judiciais que fragilizaram o império de comunicação da família.

O cenário atual é de desgaste e incerteza sobre um sucessor, com a primeira eleição estadual em Alagoas sem Collor como símbolo dessa virada, conforme informação divulgada pelo g1.

Trajetória política e primeiros momentos de destaque

A carreira pública de Collor começou em Alagoas, como prefeito de Maceió entre 1979 e 1982, e avançou para a Câmara, quando foi eleito deputado federal pelo PDS, assumindo no ano seguinte.

Em 1986, venceu a eleição para governador de Alagoas pelo então PMDB, sendo governador entre 1987 e 1989, e deixou o cargo para disputar a Presidência.

Com o bordão “o caçador de marajás”, Collor conquistou a Presidência em 1989, vencendo Lula no segundo turno, tornando-se o primeiro presidente eleito por voto direto após a ditadura, após a ditadura militar (1964-1985).

Impeachment, retornos eleitorais e picos de influência

Em 1992, Collor foi o primeiro presidente do Brasil a sofrer impeachment, após denúncias feitas por seu irmão, Pedro Collor, que morreu em 1994.

Nos anos seguintes, tentou diversas vezes retornar ao poder. Em 2002, disputou o governo de Alagoas e perdeu ainda no primeiro turno, por 52,9% x 40,2%, enquanto em 2006 venceu a disputa ao Senado contra o mesmo adversário, Ronaldo Lessa, em apenas 28 dias de campanha.

Em 2010, tentou o governo de novo, caiu no primeiro turno com 28,8% e apoiou Lessa no segundo turno. Em 2014, foi reeleito senador com 55,59% dos votos válidos, e naquele ano foi absolvido no STF por falta de provas em processo antigo.

Queda definitiva, condenações e desgaste do império

A partir da Operação Lava Jato, Collor voltou a ser alvo de investigações, e acabou condenado no STF, recebendo pena de 8 anos e 10 meses de prisão, por corrupção passiva e lavagem de recursos.

O processo apurou o recebimento e ocultação de R$ 20 milhões em propina, ligada a contratos da UTC Engenharia com a BR Distribuidora, valores que foram pagos em parte diretamente a Collor e em parte à TV Gazeta.

O uso da emissora teve consequências comerciais, e a TV Gazeta perdeu a condição de afiliada da Globo em Alagoas, em meio a disputas judiciais que chegaram ao STF.

Derrotas recentes, prisão domiciliar e futuro da dinastia

Collor tentou retornar em 2018, renunciando à candidatura em setembro, e em 2022, pelo PTB, teve sua pior votação em Alagoas, com 14,71% dos votos válidos.

Após recurso negado pelo STF, foi preso em abril de 2025, mas ficou pouco tempo na prisão Baldomero Cavalcante, sendo liberado para cumprir pena em casa por conta de transtorno bipolar, Parkinson e apneia do sono.

Nas eleições locais, o apoio familiar também não vingou, e o sobrinho candidato a vereador recebeu apenas 569 votos, enquanto os bens do grupo e pessoais seguem bloqueados, e a empresa entrou em recuperação judicial.

O ex-presidente segue inelegível, só podendo concorrer novamente em 2032, prazo considerado inviável pelo estado de saúde e pela perda de protagonismo político, e a primeira eleição estadual em Alagoas sem Collor confirma o fim de uma era política e midiática no estado.


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