A adoção de IA já faz parte do dia a dia das empresas, mas muitas ainda não conseguem transformar projetos em resultados de escala.
Para Salim Ismail, a tecnologia não pode ser apenas inserida no desenho organizacional antigo, é preciso repensar estruturas, processos e papéis de liderança.
Conforme declaração de Salim Ismail, fundador da Singularity University, a adoção de IA é antes de tudo uma agenda de transformação organizacional completa.
Por que projetos de adoção de IA ficam presos
Ismail identifica um “sistema imunológico corporativo” que rejeita iniciativas disruptivas quando estas são apenas implementadas dentro da arquitetura antiga.
Segundo ele, “IA é uma agenda de transformação. Hoje, as pessoas estão só usando-a como ferramenta em um design organizacional antigo”, e essa abordagem gera resistência e falha em escala.
Por isso, muitos projetos funcionam em piloto, mas não produzem impacto relevante no negócio, porque não conseguem ultrapassar a fronteira organizacional onde foram criados.
Como seria uma organização nativa de IA
O executivo descreve um modelo em que existe uma camada de inteligência no centro da empresa, na qual humanos e agentes de IA trabalham integrados.
Nesse arranjo, em vez de simplesmente automatizar etapas da sequência atual, os processos são redesenhados a partir das capacidades dos agentes, com redistribuição do trabalho e novas formas de coordenação.
Ismail também alerta que a adoção de IA transforma a noção de escala, deixando de depender apenas de mais pessoas e mais níveis de gestão.
Vantagem competitiva e o novo papel do CEO
Com a democratização de modelos e plataformas, a própria IA tende a perder força como diferencial competitivo, e a vantagem virá de dados proprietários, capacidade de aprendizado e força de marca.
Nas palavras de Ismail, “A vantagem competitiva virá de outras áreas, como dados proprietários, capacidade de aprendizado e até mesmo a força de uma marca”.
Ele provoca os líderes com uma pergunta prática, “A grande pergunta que todo CEO deveria se fazer hoje é: há alguma linha de negócios com altas margens que poderia ser replicada em 60 ou 90 dias por duas pessoas usando agentes de IA numa garagem? Se a resposta é sim, há uma ameaça existencial”.
Implicações práticas e próximos passos
Para avançar na adoção de IA, segundo Ismail, é preciso proteger uma nova estrutura na fronteira da organização, permitir que ela amadureça e depois migrar fluxos do modelo tradicional para o novo desenho, um a um.
O executivo lembra que não se trata apenas de automatizar tarefas, mas de repensar como o trabalho é organizado e distribuído, e que o CEO terá de se concentrar mais no propósito da companhia e no problema que ela resolve.
Ismail virá ao Brasil para apresentar essas ideias, ele será painelista do AI & Digital Forum, evento da McKinsey em São Paulo no próximo dia 26, onde debaterá os desafios da adoção de IA em empresas.

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