O governo de Goiás realizará em 25 de agosto a licitação para contratar as instituições que vão estruturar, administrar e gerir o Fundo de Investimento Imobiliário de Goiás, o FII-GO, com sessão marcada para as 10h.
Uma carteira inicial de imóveis públicos avaliada em R$ 834 milhões foi estimada em estudos preliminares como base para empreendimentos que poderiam alcançar R$ 12,3 bilhões em Valor Geral de Vendas, o VGV.
O modelo prevê usar terrenos e imóveis públicos como ativos para desenvolvimento imobiliário, em vez de venda direta, com a proposta de ampliar valor de mercado e gerar retornos ao Estado.
conforme estudos preliminares do Instituto Brasileiro de Administração Pública (IBAP) e documentos do governo de Goiás.
Potencial econômico e limites do indicador
O VGV de R$ 12,3 bilhões não representa o valor atual dos imóveis nem uma receita garantida para o governo, “O indicador corresponde à soma do valor projetado para a venda das unidades dos empreendimentos que poderiam ser desenvolvidos nesses terrenos.”
Na prática, a diferença entre os R$ 834 milhões de avaliação dos ativos e os R$ 12,3 bilhões de VGV mostra o quanto de desenvolvimento imobiliário poderia ser viabilizado a partir desse patrimônio.
Segundo os estudos do IBAP, os projetos associados aos imóveis analisados poderiam gerar até R$ 1,8 bilhão para o Estado, caso o potencial estimado seja concretizado. O valor estimado da contratação para estruturar o fundo é de cerca de R$ 77,7 milhões para o período previsto de operação.
Como vai funcionar a estrutura do fundo
A criação da estrutura ganhou respaldo legal com a Lei Estadual nº 24.387, de 26 de junho de 2026. A norma autoriza Goiás a transferir imóveis públicos para um ou mais fundos imobiliários por meio da integralização de cotas.
Cada ativo deverá passar por avaliação prévia, justificativa administrativa e demonstração de vantagem econômica. Quando o imóvel estiver associado a um serviço público, haverá plano para garantir continuidade, substituição ou realocação dessa atividade.
Pelas regras previstas, as cotas poderão ficar com o próprio Estado, autarquias, fundações, empresas estatais e investidores privados, mas o Estado deverá manter a maioria das cotas, e a perda de controle dependerá de autorização legislativa específica.
Ativos avaliados e exemplos na carteira inicial
A carteira inicial inclui áreas e imóveis em diferentes municípios e setores de Goiânia, entre eles terrenos nos setores Jaó, Aeroviários, Parque das Laranjeiras, Grajaú e Pedro Ludovico, além de ativos em Pirenópolis, Pires do Rio e Santa Helena de Goiás.
Também constam imóveis conhecidos, como o antigo Clube Telegoiás, o antigo Clube CELG e a antiga sede da Agrodefesa, além de áreas ligadas a órgãos de segurança pública. A lista oficial integra os documentos da concorrência.
O objetivo dessa seleção inicial é testar a viabilidade do modelo, com possibilidade de incorporar outros imóveis públicos ao fundo posteriormente.
Visão dos responsáveis pelos estudos e governo
“O estudo teve como objetivo transformar as características dos imóveis em uma leitura estruturada de sua viabilidade e potencial de desenvolvimento. A análise permite enxergar o patrimônio público não apenas pelo seu valor atual, mas também pela capacidade de gerar empreendimentos e valor ao longo do tempo”, afirma Daniel Guimarães, diretor-presidente do IBAP.
“A iniciativa busca superar a lógica tradicional de simples alienação de imóveis ociosos. O objetivo é criar condições para que esses bens contribuam para o desenvolvimento urbano e econômico, tenham seu valor de mercado ampliado e possam gerar retornos ao Estado de forma mais planejada, transparente e sustentável”, afirma Sérvulo Nogueira, secretário de Administração de Goiás.
O projeto combina intenção de eficiência administrativa e responsabilidade fiscal, com horizonte de médio e longo prazo. A agenda agora inclui a concorrência para escolher administrador fiduciário autorizado pela CVM e gestor profissional habilitado, e a avaliação detalhada de cada imóvel antes da transferência para o fundo.
Mesmo com o potencial numérico elevado, especialistas lembram que a concretização depende de estudos técnicos, decisões de projetos, mercado imobiliário e garantias de continuidade dos serviços públicos ligados aos imóveis, pontos que serão avaliados ao longo do processo de implantação do fundo imobiliário de Goiás.

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