Abecip revisou para 25% a projeção de alta dos financiamentos imobiliários em 2026, apontando R$ 410 bilhões em concessões, com MCMV, FGTS, SBPE e recursos do pré-sal em evidência
O mercado de crédito habitacional ganhou nova projeção mais otimista para 2026, com aumento relevante nas estimativas de volume financiado.
A revisão reflete desempenho forte no primeiro semestre e ampliação de recursos destinados à habitação, fatores que influenciam a oferta de crédito.
Os números atualizados indicam maior velocidade de retomada em linhas populares, e mostram diferenças entre segmentos bancário e público, conforme informação antecipada ao Broadcast nesta segunda-feira, 24.
Revisão geral e números principais
Em comunicado aos mercados, “A Abecip elevou de 16% para 25% a projeção de crescimento dos financiamentos imobiliários em 2026”, frase que resume a mudança de cenário para o setor.
Segundo a associação, “a nova estimativa aponta para R$ 410 bilhões em concessões destinadas à compra e à produção de moradias neste ano”, valor que representa aumento frente à previsão anterior.
Sobre a comparação com 2025, a entidade destaca que “a atualizaçã o também confirma a aceleração do setor na comparação com 2025, quando o volume totalizou R$ 328 bilhões”, indicando recuperação do ritmo de crédito.
O que motivou a revisão
A Abecip atribui a atualização ao desempenho melhor do que o esperado no primeiro semestre, e à atualização dos recursos disponíveis para financiamento habitacional.
Nos primeiros seis meses do ano, “Entre janeiro e junho, as concessões somaram R$ 180,9 bilhões, alta de 23% sobre o mesmo período do ano passado”, dado que serviu de base para revisar a projeção.
O presidente da Abecip, Michel Cury, afirmou que a demanda por financiamento segue consistente mesmo em ambiente de juros elevados, citando cadernetas de poupança e ampliação de recursos para habitação como determinantes.
Desempenho por linha de crédito
A alteração não foi uniforme entre as modalidades, com destaque para o Minha Casa Minha Vida, abastecido por fundos públicos e pré-sal.
Conforme os dados, “A maior revisão ocorreu na linha do Minha Casa Minha Vida (MCMV), abastecida com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do fundo social do pré-sal”.
Na prática, “A projeção de alta foi elevada de 5% para 38%, com a estimativa passando de R$ 145 bilhões para R$ 195 bilhões neste ano”, um salto que explica parte importante da revisão total.
Já no SBPE, “No Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), a previsão de crescimento subiu de 15% para 18%, com o volume esperado indo de R$ 180 bilhões para R$ 185 bilhões”, mostrando ajuste mais moderado.
Por outro lado, “nos financiamentos com recursos livres dos bancos, houve um corte expressivo. A expectativa inicial de alta de 66% foi revista para estabilidade, e o volume projetado caiu de R$ 51 bilhões para R$ 31 bilhões”, reflexo de custo de funding e juros mais altos.
Perspectivas, riscos e sinais para 2026
A leitura da Abecip consolida uma perspectiva mais favorável para o mercado habitacional, mas mantém atenção às taxas de juros.
Segundo a entidade, indicadores de emprego e renda seguem sustentando a demanda por moradia, embora o nível elevado das taxas de juros seja apontado como principal fator de atenção para a evolução das concessões nos próximos meses.
Em resumo, a nova projeção de 25% de alta e R$ 410 bilhões reforça recuperação do crédito imobiliário, com impacto concentrado em linhas com recursos públicos e maior prudência em financiamentos com recursos livres.

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