Construção civil lidera mortes por choque elétrico, com 208 óbitos em 2025, Cemig recomenda manter 1,5 metro da rede, e adotar APR e normas como NR-10
O ritmo de obras e reformas tende a crescer com o tempo mais firme em Minas Gerais, mas o avanço das atividades exige atenção redobrada à segurança nas proximidades da rede elétrica.
Profissionais como pedreiros, pintores e ajudantes estão entre os mais expostos, e tarefas rotineiras podem se tornar fatais quando não há planejamento e controle dos riscos.
Os dados e orientações que embasam esta reportagem foram fornecidos pela Abracopel e pela Cemig, confira as informações a seguir, conforme informação divulgada pela Abracopel e pela Cemig.
Por que a construção civil concentra mais acidentes
Somente em 2025, foram registradas 208 mortes entre trabalhadores do setor, segundo o Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica da Abracopel. O número representa aumento em relação aos 137 óbitos contabilizados em 2024 e aos 64 registrados em 2023.
Na série histórica da Abracopel, entre 2013 e 2025, ao menos 1.173 profissionais da construção civil morreram em acidentes envolvendo eletricidade, o que evidencia o padrão de risco do setor ao longo dos anos.
Atividades e objetos que elevam o risco de choque elétrico na construção civil
Serviços realizados na mesma altura da rede de distribuição, comuns em reformas de segundos e terceiros pavimentos, telhados, fachadas e sacadas, aumentam a chance de acidentes graves.
Cabos de rolos de pintura, vergalhões, barras metálicas, calhas, escadas e andaimes podem se aproximar acidentalmente da rede. A Cemig alerta que até objetos aparentemente isolantes, como cabos de madeira, podem representar perigo em determinadas situações.
Segundo a empresa, dependendo da proximidade, pode ocorrer a formação de um arco elétrico entre a rede energizada e o objeto manipulado. Uma rede de média tensão, por exemplo, pode operar com 13.800 volts, por isso o risco não está apenas no contato direto com os fios.
Como explica José Firmo do Carmo Júnior, gerente de Saúde e Segurança Corporativa da Cemig, “Muitas pessoas imaginam que o acidente só acontece quando há contato direto com o fio, mas a aproximação também pode provocar uma descarga elétrica”.
Medidas práticas antes e durante a obra
A Cemig recomenda a realização de uma Análise Preliminar de Riscos (APR) antes do início de qualquer construção ou reforma próxima à rede elétrica, considerando a localização da rede e todas as atividades previstas.
A avaliação prévia permite identificar as situações de perigo e definir medidas de proteção antes do início dos serviços, reduzindo a chance de que atividades rotineiras terminem em acidentes graves ou fatais.
Outro cuidado essencial é manter uma distância mínima de 1,5 metro da rede elétrica, tanto em relação ao trabalhador quanto durante a movimentação de ferramentas, equipamentos e materiais, conforme orientação da Cemig.
Normas e alerta da Cemig para prevenção do choque elétrico na construção civil
A orientação está alinhada às normas aplicáveis a trabalhos envolvendo eletricidade, entre elas a Norma Regulamentadora nº 10 (NR-10) e a ABNT NBR 16384:2020, que tratam do planejamento e dos controles de segurança.
José Firmo do Carmo Júnior reforça que “Os números mostram que as ocorrências envolvendo eletricidade na construção civil continuam sendo causas de acidentes e mortes no Brasil. Muitas delas poderiam ser evitadas com planejamento, identificação prévia dos riscos e respeito às distâncias de segurança da rede elétrica”.
Responsáveis por obras e trabalhadores devem planejar, identificar riscos, adotar APR e seguir a orientação de manter 1,5 metro de distância, evitando que serviços rotineiros resultem em acidentes graves.

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