O perito contratado pela produtora GoUp, responsável pelo filme Dark Horse, afirmou que não auditou o fundo americano Havengate que aportou recursos para a produção, alegando falta de autorização para acessar esses dados.

A Polícia Federal vem requisitando informações à produtora sobre pagamentos e prestadores de serviço relacionados ao longa, em diligências que começaram em julho e seguem como parte da apuração sobre a origem e o uso dos recursos.

As declarações do perito e os detalhes do caso foram relatados à imprensa pelo GLOBO, conforme informação divulgada pelo GLOBO.

O que disse o perito contratado pela GoUp

O perito Anisio Castelo Branco, presidente do Instituto de Perícia Investigativa, afirmou que sua análise se limitou aos desembolsos feitos pela produtora GoUp, sem abranger a estrutura ou os repasses do fundo Havengate.

Em suas palavras, “Eu não sei quanto que foi enviado do Brasil aos Estados Unidos, nem sei se foi enviado, porque eu não estou investigando o fundo, eu não falo pelo fundo, eu não pertenço ao Havengate. São informações que fogem do nosso espectro, nós não trabalhamos no fundo Havengate, não temos nenhum contato com o fundo. Do ponto de vista de como o fundo é alimentado, não sei quanto ele tem de capital, se tinha só dinheiro do filme, se tinha R$ 100 milhões, R$ 1 bilhão, isso é uma informação sigilosa do fundo”.

Castelo Branco também explicou que o objetivo da perícia da GoUp foi determinar o custo da obra, citando que “antes se falava em números estratosféricos e se comprovou que foi (cerca) de R$ 70 milhões”.

Pedidos da Polícia Federal e documentos requisitados

A PF enviou um ofício à produtora solicitando informações sobre pagamentos, contratos e fornecedores relacionados ao Dark Horse, e também oficiou a Ancine para obter dados sobre o registro da obra e procedimentos administrativos ligados ao lançamento.

Os advogados da GoUp responderam pedindo que a Polícia Federal especifique melhor o que deseja, por considerarem o ofício amplo demais, e afirmaram que, se autorizado pelo ministro relator, fornecerão dados bancários, CPF e CNPJ.

Valores declarados da produção e investigação sobre destino dos recursos

Segundo o laudo contratado pela própria produtora e incluído em investigação da Polícia Civil de São Paulo, o custo total do filme foi de R$ 75,1 milhões, sendo R$ 54 milhões gastos nos Estados Unidos e R$ 20,9 milhões no Brasil.

O perito afirmou que quase todos os recursos enviados à produtora vieram do fundo Havengate, mas repetiu não ter informações sobre a origem desse capital, dizendo “Eu não consigo te responder isso (origem do dinheiro do fundo) porque eu não trabalho no fundo”.

A PF investiga se parte dos recursos foi usada para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos, e se verbas financiaram acesso do clã Bolsonaro a integrantes do governo americano por meio de escritórios de advocacia e lobistas, conforme reportagens divulgadas pelo The Intercept Brasil.

Trâmite no STF e próximas etapas

O inquérito sobre o caso teve relatoria atribuída ao ministro André Mendonça, que em julho determinou a instauração da investigação. A Procuradoria-Geral da República já havia apontado indícios suficientes para a apuração.

Além disso, outra frente analisa possível desvio de emendas parlamentares para a produção, sob relatoria do ministro Flávio Dino, e a PF recebeu autorização para acessar dados da investigação da polícia paulista, que resultou em buscas relacionadas à produtora e à ONG envolvida em contratos com a Prefeitura de São Paulo.

A Ancine concedeu o registro de obra estrangeira para o Dark Horse, etapa inicial para exibição no Brasil, e a investigação seguirá tentando mapear a origem final dos recursos no exterior e eventuais destinatários fora da produção.

Fontes: reportagens e entrevistas publicadas no GLOBO, e reportagens do The Intercept Brasil mencionadas no inquérito.


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