JBS segue como aposta preferida do mercado no setor de proteínas, diante da melhora nos spreads da carne bovina nos Estados Unidos, e do desempenho operacional que tem surpreendido analistas.

Enquanto isso, MBRF e Minerva enfrentam cenários mais desafiadores no Brasil, com impactos de restrições comerciais e debates sobre exportações para a União Europeia.

Os analistas do Itaú BBA apontam que o ambiente veio melhor do que os indicadores subjacentes sugeriam para o segundo trimestre, reduzindo o risco de revisões negativas nas estimativas de lucro, conforme informação divulgada pelo Itaú BBA.

Por que a JBS se destaca

Segundo o relatório do Itaú BBA, “Os preços da proteína no mercado americano permaneceram praticamente estáveis em relação aos níveis observados no segundo e no terceiro trimestres de 2026 até o momento.” Essa estabilidade ajuda a explicar o favoritismo da JBS em relação aos pares cobertos pelo banco.

O banco também afirma que “a projeção mais recente do banco é que o segmento de carne bovina da JBS nos EUA registre margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) próxima de zero no exercício fiscal de 2027.”

Além disso, o relatório destaca que “ainda assim, o resultado representaria uma melhora de cerca de 200 pontos-base na comparação anual.”, sinalizando recuperação gradual das margens.

Desafios de MBRF e Minerva no mercado doméstico e europeu

No Brasil, as empresas enfrentam tensões comerciais, mesmo após notícias positivas como o acordo entre Mercosul e União Europeia. A pressão vem, em parte, de barreiras sanitárias e exigências de rastreabilidade impostas pelo bloco europeu.

Como relata o Itaú BBA, “a União Europeia já programou a suspensão das importações desses produtos a partir de 3 de setembro, alegando divergências relacionadas a requisitos sanitários e padrões de rastreabilidade.” Isso gera risco de curto prazo para volumes e preço recebido por exportadores brasileiros de frango.

Medida dos EUA pode ampliar exportações brasileiras

Os analistas também notam que uma iniciativa americana pode criar espaço para ganhos de exportação. Em publicação recente, autoridades dos EUA indicaram que a ação visaria aliviar os preços da carne moída no país.

O relatório cita que “a medida representaria cerca de 40% da média mensal das importações de carne bovina ao longo dos próximos 90 dias.” Considerando “a participação histórica do Brasil nas importações americanas de carne bovina, próxima de 25%”, o banco estima que “a cota adicional poderia elevar em aproximadamente 7% os volumes mensais das exportações brasileiras para os EUA.”

Para o setor de proteínas do Brasil, essa janela pode ser mais positiva para os processadores brasileiros do que negativa para os frigoríficos americanos, segundo a avaliação do Itaú BBA.

Perspectivas e riscos para investidores

O relatório observa que “os resultados divulgados pelas empresas ficaram acima do que os indicadores subjacentes do mercado sugeriam para o segundo trimestre.”, o que contribui para um sentimento mais resiliente entre analistas.

Na avaliação do banco, “o risco de revisões negativas para as estimativas de lucro é hoje menor do que no início do ano.”, porém, permanecem ameaças relacionadas a mudanças sanitárias, logísticas e variações de preços internacionais.

Em resumo, o Itaú BBA mantém a JBS como escolha principal no setor de proteínas por conta da melhora nos EUA, enquanto MBRF e Minerva seguem vulneráveis a choques nas exportações e a medidas regulatórias, com potencial de recuperação dependendo da evolução das cotas e da demanda internacional.


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