A cantora, hoje com 61 anos, relatou que precisou se defender desde muito jovem, enfrentando avanços e situações de perigo em shows, estúdios e viagens com bandas.
Ela descreveu tentativas de assédio por colegas de trabalho, produtores que a isolaram e abordagens agressivas dentro de carros e quartos de hotel.
Todas as declarações foram dadas em entrevista, conforme informação divulgada pelo GLOBO.
Investidas de músicos e ambiente hostil nas turnês
Zélia recordou que, ao começar na noite, os homens frequentemente se aproximavam com cantadas e convites, e que, nas turnês, havia comportamento tóxico entre colegas. Ela relatou, em tom direto, que viu músicos “pegando mulheres aqui e ali”, e que havia quem a olhasse com “cara altamente libidinosa”.
A artista contou ainda que ouviu propostas invasivas, como a sugestão de que ela aceitasse uma terceira pessoa para beijá‑la, e que isso tornava o ambiente uma ameaça persistente à sua segurança e ao seu trabalho.
Produtores que criaram armadilhas e episódios de risco
Em relatos sobre encontros profissionais, Zélia descreveu situações em que se viu sozinha com homens em espaços fechados, o que, segundo ela, foi usado para forçar avanços. Um episódio relatado foi quando recebeu o chamado para um teste de estúdio num domingo, foi sozinha e se viu apenas com o produtor, lembrando que “imagine se ele fosse mais violento, aquela porta de estúdio, pesada”.
Ela também contou que, numa outra ocasião, após jantar na casa de um produtor famoso, ao ser levada para casa, o homem “pulou em cima de mim no carro”, uma descrição direta do episódio que evidencia risco e abuso.
Resposta pessoal, defesa e a importância da visibilidade
Zélia explicou que, por ser lésbica desde sempre, precisou se proteger e que ouviu comentários que tentavam reduzir sua orientação a uma suposta falta de contato com homens. Ela relatou que um colega a empurrou na cama e disse, “Vou te mostrar o que é um homem”, e que respondeu, “Você acha que eu não sei o que é um homem?”.
A cantora classificou esses argumentos como frágeis e tolos, citou expressões que ouviu na época, como a ideia de que alguém seria “mal comida”, e afirmou que transformou a necessidade de defesa em potência e orgulho, usando a visibilidade como pilar de proteção.
Contexto e reflexões finais
Os relatos de Zélia ilustram dinâmicas recorrentes no meio artístico, envolvendo assédio sexual, tentativas de coercitividade e a exploração de sonhos profissionais por quem ocupa posições de poder. Ela também destaca que teve apoio de colegas, como um baterista que passou a esperá‑la no ponto de ônibus, e que essas alianças foram fundamentais para sua segurança.
Ao falar sobre evolução do debate nas artes, Zélia aponta que, enquanto sua geração sofreu repressões e pressões para se conformar, hoje a visibilidade permite que muitos resistam e afirmem sua liberdade, sem ter de provar sua identidade para ninguém.

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