O estado do Rio de Janeiro concentra um volume significativo de investimentos em execução, com impacto direto em emprego, infraestrutura e no mercado imobiliário.
O valor mapeado chega a R$ 327,6 bilhões para o período entre 2026 e 2028, e projetos adicionais elevam esse montante potencial para pouco mais de R$ 500 bilhões.
O setor de petróleo e gás lidera os aportes, e obras em energia, saneamento e logística também se destacam, conforme informação divulgada pela Firjan.
Petróleo e gás, o motor da atual onda de investimentos
Segundo o mapeamento da Firjan, o setor de petróleo e gás corresponde a mais de 60% do valor mapeado até 2028, e entre os 20 maiores projetos há aportes bilionários no desenvolvimento de campos do pré-sal por empresas como Petrobras, Shell e Equinor. A entidade também aponta que “Petróleo deve gerar mais de 1,4 mil empregos no Estado do Rio até o fim de 2027”.
Além dos investimentos em exploração e produção, há destaque para projetos industriais da cadeia petrolífera e oportunidades relacionadas à economia do mar e à indústria química e petroquímica.
Infraestrutura, energia e data centers como oportunidades estratégicas
O levantamento identifica nove “fronteiras de desenvolvimento”, entre elas transição energética, complexo portuário-logístico, economia do mar e inovação, tecnologia e data centers. A Firjan destaca que a distribuição de energia e o saneamento básico aparecem com grandes aportes previstos.
Entre os maiores planos em infraestrutura elétrica estão os projetos das distribuidoras Light, com R$ 8,5 bilhões previstos entre 2026 e 2028, e Enel, com R$ 6,1 bilhões no mesmo período. No saneamento, as obras da concessionária Águas do Rio, da Aegea, somam R$ 6,2 bilhões.
Sobre investimentos em potencial, Luiz Césio Caetano afirmou, “Dentro dos projetos de investimentos em potencial (aqueles do mapeamento que vão além dos R$ 327,6 bilhões em execução) temos, principalmente, a Usina Nuclear de Angra 3. Entendemos que ela é perfeitamente viável”, diz Luiz Césio Caetano.
Governança, gargalos logísticos e custos da insegurança
Executivos e consultores consultados no levantamento ressaltam a necessidade de estabilidade jurídica e bom governo para que os projetos previstos saiam do papel. Caetano alerta, “Precisamos de estabilidade jurídica, Temos muita mudança de regras no meio do caminho”, e complementa, “Uma mudança de regra no meio do caminho pode inviabilizar um projeto que foi montado dentro de uma estrutura fiscal e de retorno do investimento”.
Problemas logísticos ainda representam gargalos, como a nova pista de subida da Serra de Petrópolis, na BR-040, e o trecho ferroviário EF-118, que conecta o norte do estado à malha ferroviária e ao Porto do Açu. A retomada dessas obras é vista como condição para ampliar a competitividade.
O levantamento também aponta um impacto negativo da insegurança e da ilegalidade, com custo estimado em R$ 31,1 bilhões por ano para a economia fluminense, “número é equivalente a 2,3% do PIB do estado”.
Visão de especialistas e poder público sobre a execução
Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria, defende que o Rio precisa apostar em “serviços de alto valor agregado”, para diversificar além do petróleo, afirmando, “O Rio tem que focar, na minha perspectiva, numa economia de serviços avançados, Não quer dizer que seja somente algo baseado em ciência e tecnologia, Podemos ter serviços avançados de turismo, de infraestrutura”.
Do lado público, o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Roberto Gomides, destaca que o desafio não é a falta de projetos, mas a capacidade de executá-los, e que a prioridade é dar previsibilidade jurídica e melhorar o ambiente de negócios.
O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, ressalta que o ajuste nas contas municipais e a nota AAA da Fitch permitem ao município aumentar investimentos e atrair novos negócios, com reflexos em emprego e arrecadação.
Com projetos consolidados e outros em potencial, o Rio entra em uma fase decisiva, em que a execução, a governança e a superação de gargalos logísticos e de energia definirão se os recursos previstos de R$ 327,6 bilhões se traduzirão em crescimento sustentável e geração de emprego.

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