Setor de loteamentos em Minas registra alta de 22,7% no 1º semestre, com 5.160 lotes comercializados e R$ 1,3 bilhão em VGV, destaque para condomínios fechados
O mercado de loteamentos de Minas Gerais encerrou o primeiro semestre de 2026 em forte recuperação, com aumento nas vendas e maior otimismo entre construtoras e incorporadoras.
O desempenho foi puxado pelos loteamentos fechados, voltados ao público de maior poder aquisitivo, enquanto loteamentos abertos também registraram crescimento no acumulado do semestre.
As expectativas são de que o ritmo siga aquecido no segundo semestre, com muitos empreendimentos represados previstos para lançamento até dezembro, o que pode ampliar a oferta e as transações.
conforme levantamento da Aelo-MG em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, Sinduscon-MG e Secovi-MG.
Desempenho geral e principais números
Entre janeiro e junho foram comercializados 5.160 lotes em Minas Gerais, aumento de 22,7% ante as 4.206 unidades vendidas no mesmo período de 2025. No total, o setor movimentou cerca de R$ 1,3 bilhão em Valor Geral de Vendas, VGV, no primeiro semestre.
O resultado mostra que a procura por terrenos segue aquecida, mesmo em um cenário de juros elevados, e reforça a resiliência do setor de loteamentos frente a variáveis macroeconômicas.
Loteamentos fechados puxam a recuperação
O segmento de condomínios fechados foi um dos grandes responsáveis pelo desempenho. No segundo trimestre, as vendas desse nicho cresceram 64,8%, passando de 741 para 1.221 lotes.
O VGV dos loteamentos fechados avançou 71,4%, de R$ 278 milhões para R$ 476 milhões. No acumulado do semestre, foram comercializadas 2.278 unidades em loteamentos fechados, crescimento de 13,6%.
Para Gustavo Amorim, presidente da Aelo-MG, a busca por esses produtos está ligada a fatores não apenas financeiros, mas de qualidade de vida. Ele afirmou, “O crescimento do nosso setor no primeiro semestre se deve, principalmente, aos produtos de valor agregado mais alto. São estes produtos que o consumidor está buscando por questões de qualidade de vida e segurança”.
Amorim também destacou a leitura sobre os números do semestre, “O principal sinal de que o nosso resultado foi positivo no primeiro semestre é a alta de 22,7% na venda de lotes em relação ao mesmo período do ano passado. Já no segundo trimestre, mesmo com uma pequena retração no número de unidades, o valor das vendas cresceu 24,1%. Isso mostra a força e a capacidade de absorção do mercado”.
Loteamentos abertos e variações trimestrais
Os loteamentos abertos também fecharam o semestre em alta, com 2.882 unidades comercializadas entre janeiro e junho, avanço de 31% em relação às 2.200 unidades vendidas no mesmo período de 2025.
Entretanto, o segundo trimestre isolado apresentou recuo para esse segmento, com redução de 32,5% no número de unidades comercializadas e queda de 24,5% no VGV. O contraste entre o resultado acumulado e o desempenho trimestral mostra a volatilidade de segmentos distintos dentro do setor de loteamentos.
Regiões, demanda e perspectivas para o segundo semestre
Regiões como Grande Belo Horizonte, Sul de Minas e Triângulo Mineiro concentram parte relevante das vendas e dos novos projetos previstos para o segundo semestre. Segundo a Aelo-MG, cidades como Nova Lima e Lagoa Santa estão entre os polos com maior atividade.
O Triângulo Mineiro aparece como um dos principais polos de expansão, com demanda ativa, especialmente para produtos de médio padrão e unidades compactas. O presidente do Sinduscon-TAP, Antônio Borges, avaliou, “Há uma expectativa moderada ao longo do primeiro trimestre, com tendência de aceleração nos períodos seguintes. A demanda permanece ativa, especialmente para produtos de médio padrão e unidades compactas, que apresentam maior liquidez e aderência ao perfil atual do consumidor”.
Borges também destacou que “Regiões com maior dinamismo econômico e infraestrutura consolidada tendem a concentrar os lançamentos e apresentar melhor desempenho comercial”. O Sinduscon-TAP trabalha com perspectiva de crescimento de até 8% nas vendas e lançamentos no Triângulo Mineiro em 2026.
Para a Aelo-MG, o segundo semestre pode até superar o resultado do primeiro, já que há muitos empreendimentos represados prontos para lançamento. Como afirmou Gustavo Amorim, “O resultado deste ano deve fechar positivo, pois, pelo mapeamento que fizemos aqui, estamos com muitos empreendimentos represados para serem lançados agora no segundo semestre”.
Amorim complementou a projeção, “Nossa expectativa é que o ritmo de vendas se acelere no segundo semestre, já que historicamente esse período é mais forte nas vendas que o primeiro semestre”.
O conjunto de números e expectativas aponta para um cenário mais favorável ao setor de loteamentos em Minas Gerais, com impacto direto no mercado imobiliário local, em especial nos segmentos de maior valor agregado e nas praças com infraestrutura consolidade e economia mais dinâmica.

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