Alerta sobre FIDCs, 46 fundos sem informes em julho e crescimento dos fundos estruturados com R$ 108 bilhões captados, ameaça à transparência e fiscalização

O segmento de fundos estruturados ganhou mais dinheiro em 2026, mas também trouxe um problema crescente de divulgação de informações, com impacto direto na confiança dos investidores.

Em julho, 46 FIDCs deixaram de entregar os informes do mês anterior, o maior número mensal do ano, em um cenário marcado por recuperações judiciais e risco de desaceleração econômica.

O caso levou a Anbima a reforçar cobranças sobre o envio periódico e completo de documentos de fundos, e a estimular ações de supervisão preventiva no mercado.

conforme levantamento da Uqbar e comunicado da Anbima.

A dimensão do problema nos informes dos FIDCs

Segundo o levantamento da Uqbar, “46 FIDCs de 12 administradores não entregaram em julho as informações do mês anterior. É o maior número mensal do ano.” Esse aumento do “apagão” coincide com preocupações sobre a qualidade dos dados divulgados pelos gestores.

Os fundos estruturados, no conjunto, também registraram forte entrada de recursos, “Os fundos estruturados receberam R$ 108 bilhões em novos investimentos no ano”, conforme os números da apuração.

O relatório da Uqbar traz uma série histórica mensal que mostra a evolução dos casos, com destaque para julho: Dezembro (2025) 27 10, Janeiro 8 6, Fevereiro 23 9, Março 12 7, Abril 4 3, Maio 9 7, Junho 8 2, Julho 46 12.

Quem está envolvido e quais são os riscos

Alfredo Marrucho, sócio da Uqbar, alerta que “O número de FIDCs com informações atrasadas é preocupante” e que o mercado saiu de problemas de qualidade para um cenário de ausência de informação.

Marrucho destaca que os problemas se concentram em administradores ligados a grupos citados em processos judiciais ou investigações criminais, como CBSF, atual denominação da Reag Trust DTVM, além de WNT, Planner e Banvox.

Sobre a CBSF, a apuração lembra que houve “a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em janeiro, por graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional, no âmbito das apurações sobre o Banco Master.”

Resposta da Anbima e medidas de supervisão

A Anbima reforçou junto às instituições a importância do envio periódico e completo dos documentos exigidos, incluindo informes de FIDCs e fundos imobiliários, e demonstrações contábeis de FIPs.

Audrey Almeida, gerente de Supervisão de Ações Preventivas e Cadastros da Anbima, afirma que “Vimos valor nessa cobrança, não só para supervisão como para o mercado e a gente entende que isso vai entrar nos processos de supervisão”.

Ela ressalta que, mesmo sendo um universo pequeno diante do total de fundos, “O número dos que não enviam os dados é pequeno, mas é onde vejo que consigo agregar mais como supervisão, não só com relação ao envio tempestivo, mas também ao identificar o que está causando esses atrasos”.

A Anbima também pode abrir procedimento de apuração de irregularidade caso inconsistências não sejam resolvidas, e tem atuado com acompanhamento de provisões para devedores duvidosos, marcação a mercado e visitas a gestoras, para fortalecer a transparência e a qualidade das informações.

O que os investidores devem observar

Para investidores, a mensagem é clara, ficar atento à divulgação regular dos informes das carteiras e à consistência dos dados é essencial para avaliar riscos em FIDCs.

Com o crescimento do segmento e a entrada de recursos, a ausência de informações não só complica a fiscalização, como também pode afetar a confiança e a decisão de alocação de recursos, lembram especialistas e entidades de mercado.


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