Armazenamento de energia em baterias registra crescimento recorde no mundo, China lidera a corrida e o Brasil busca consolidar mercado com leilões e regras claras

O mercado de armazenamento de energia em baterias passou rapidamente de promessa a necessidade para sistemas elétricos com alta participação de renováveis, e empresas e governos vivem um momento de euforia, com projetos em alta velocidade.

Leilões e políticas públicas têm estimulado instalações, enquanto a queda de custos torna projetos mais viáveis. No Brasil, operadores e investidores aguardam um certame previsto para dezembro, que movimentou um volume recorde de propostas.

Os números globais e os desafios locais em regulação e tributação ajudam a explicar por que o debate sobre baterias virou prioridade no setor elétrico, conforme informação divulgada pela BloombergNEF, IEA, Absae e pela consultoria Greener.

Crescimento global e estatísticas recentes

O setor de armazenamento de energia em baterias atingiu um marco em 2025, com 108 GW instalados em um único ano, valor 40% superior ao registrado em 2024, segundo relatório de maio da BloombergNEF e dados da IEA.

Desde 2010, os custos dos projetos caíram mais de 90%, o que explica parte do ritmo de adoção, além do aumento na frota de veículos elétricos e das perdas por curtailment em usinas renováveis.

A previsão da BloombergNEF é que as instalações anuais continuem subindo, podendo atingir a marca de 300 GW até 2036, com projeção de 158 GW novos neste ano.

Por que a China disparou na liderança

A China responde por mais da metade dos novos projetos instalados no mundo. Dados do regime chinês indicam que, no final de 2025, a capacidade instalada em sistemas de armazenamento no país atingiu 136 GW.

O avanço chinês foi apoiado por subsídios estatais para a instalação de novos projetos e para a redução de custos de produção, criando um efeito de escala que alimenta a euforia global.

Trajetória dos Estados Unidos e outros mercados

Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com cerca de 16% dos novos projetos, e registraram 43 GW de capacidade em Bess em 2025, segundo autoridades americanas.

No primeiro semestre deste ano, foram adicionados 8,3 GW nos EUA. Estados como a Califórnia influenciam fortemente esse avanço, com a capacidade saindo de menos de 1 GW em 2019 para mais de 17 GW hoje.

A Austrália também acelerou, com novas instalações chegando a quase 8 GW em 2025, volume nove vezes maior que o do ano anterior. No Oriente Médio, a expansão superou 3 GW em 2025, impulsionada pela Arábia Saudita, e na América do Sul o Chile destacou-se com 1 GW de novas instalações em 2025.

O Brasil, o leilão e os entraves regulatórios

No Brasil, um leilão previsto para dezembro foca em baterias conectadas a redes de transmissão e a grandes usinas, modelo que vem ganhando escala global.

O mercado brasileiro já atingiu um patamar de maturidade técnica, e a prova disso é o volume recorde de 297 GW de projetos cadastrados para o leilão deste ano, mais do que toda a capacidade instalada do sistema elétrico brasileiro hoje, conforme dados do setor.

Fabio Lima, diretor-executivo da Absae, afirmou, “O setor de baterias atravessa um momento de transição no Brasil e de consolidação acelerada no exterior“. Ele acrescentou, “Os maiores desafios ainda são regulatórios, O armazenamento no Brasil completou uma primeira fase que eu chamo de permissão. Mas a gente ainda não tem as bases de remuneração bem estabelecidas, não tem esse sinal econômico para o consumidor. O que realmente vai ditar o ritmo é como a regulação dá os sinais econômicos“.

Além da regulação, a carga tributária é um entrave relevante, segundo a consultoria Greener, que aponta que os sistemas ainda enfrentam uma elevada carga tributária no Brasil, que responde por cerca de 79% do custo total de adesão.

O que vem pela frente e implicações

O crescimento do armazenamento de energia deve continuar, impulsionado por políticas públicas, incentivos fiscais e a necessidade de flexibilidade para integrar mais renováveis na matriz elétrica.

No curto prazo, a dinâmica global mostra oportunidades comerciais e de investimento, mas a velocidade e a forma como o mercado se consolidará no Brasil dependerão de mudanças regulatórias e de sinais econômicos claros para investidores e consumidores.

Para acompanhar a evolução, o leilão brasileiro e as próximas decisões de política pública serão pontos-chave, tanto para aproveitar a queda de custos quanto para enfrentar desafios como tributação e regras de remuneração.


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