Parcerias com Sanofi reordenam a produção nacional de vacinas, com transferência de tecnologia para Butantan e Fiocruz, previsibilidade de mercado e reforço ao abastecimento do SUS
O Brasil tem ampliado a produção local de vacinas por meio de acordos com a farmacêutica Sanofi, que incluem transferência de tecnologia e integração à cadeia do SUS.
Esses contratos preveem análise de viabilidade técnica e econômica, due diligence industrial e modelagem de custos, seguindo as regras das Parcerias para Desenvolvimento Produtivo do Ministério da Saúde.
As iniciativas buscam reduzir a dependência de importações, aumentar a autonomia produtiva e assegurar abastecimento contínuo de imunizantes para a população.
conforme informação divulgada pela Sanofi, Instituto Butantan e Fiocruz.
Histórico das parcerias e modelo de cooperação
O relacionamento entre a indústria francesa e instituições brasileiras tem décadas de história. Em 1974, a Fiocruz assinou o primeiro acordo com o Instituto Mérieux, que mais tarde integraria a Sanofi, para enfrentar uma epidemia de meningite.
Com o Instituto Butantan, a parceria começou em 1999 e foi concluída em 2013, com foco no combate à gripe e na transferência de tecnologia, permitindo à instituição adaptar processos e cepas locais.
Em 2025, a Sanofi e a Fiocruz ampliaram a cooperação, assinando um acordo para intercâmbio de conhecimentos, recursos e cientistas entre as instituições, um modelo que a biofarmacêutica considera replicável em outros países.
Transferência total de tecnologia e impactos no SUS
Segundo as instituições, os acordos prevêem transferência total de tecnologia, o que significa que, uma vez aprovadas pela Anvisa, as vacinas passam a ser fabricadas inteiramente no Brasil.
Atualmente, a Fiocruz e a Sanofi têm parceria para fabricação e transferência de tecnologia da vacina IPV, contra poliomielite, sendo que, conforme a fonte, 100% dos bebês que se vacinam no sistema público recebem este imunizante.
Outra vacina em processo de transferência é a hexavalente, destinada a proteger bebês prematuros nascidos com até 33 semanas de gestação contra seis doenças, o que amplia a cobertura e a segurança do calendário vacinal.
O Butantan destaca que, com o domínio da tecnologia, é possível contar com um abastecimento robusto e contínuo, blindando o país contra a escassez global e garantindo a autossuficiência a longo prazo, além de permitir adaptações às cepas que circulam na região.
Previsibilidade, investimentos e desafios industriais
Para a Sanofi, a principal vantagem do modelo de parceria é a previsibilidade de mercado, essencial para investimentos de grande escala. Como afirmou Guillaume Pierart, “São investimentos importantes, com volumes e produção importantes. Então, o que o modelo de parceria traz é previsibilidade na aquisição, porque, como a transferência se faz ao longo de 10 anos, permite dar um horizonte”.
Do lado público, Priscila Ferraz Soares, da Fiocruz, destaca o papel estratégico desses acordos, “Essas parcerias integram uma política de Estado que visa à internalização de tecnologias complexas para o fortalecimento do Complexo Econômico e Industrial da Saúde a partir do poder de compra do Estado, contribuindo para a redução, de forma estrutural, da dependência do País de importações de insumos e produtos farmacêuticos estratégicos”.
O fechamento de parcerias exige protocolos rigorosos, com verificação de viabilidade técnica e econômica, due diligence das capacidades industriais e comprovação de alinhamento com as prioridades do SUS, o que torna o processo complexo, mas fundamental para a sustentabilidade do sistema público.

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