O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, advertiu que movimentos desordenados do iene podem desencadear efeitos em cadeia nos mercados financeiros globais.

Em carta datada de 27 de agosto e publicada em sua conta no X na sexta-feira, 28, Bessent disse que essas oscilações poderiam provocar “liquidações forçadas” de posições, com risco de desestabilizar mercados e elevar custos de financiamento nos EUA.

O alerta ocorre após a rara intervenção cambial conjunta de Washington e Tóquio no fim de julho, em meio a nova desvalorização do iene frente ao dólar, conforme informação divulgada pelo Tesouro dos Estados Unidos.

Por que o Tesouro teme oscilações do iene

Bessent explicou que oscilações desordenadas do iene podem forçar vendas massivas e causar “liquidações forçadas” de posições, o que, segundo ele, corre o risco de desestabilizar os mercados globais, e, em última instância, elevar os custos de financiamento para famílias e empresas norte-americanas.

Na carta, o secretário descreve como o Tesouro atuou trocando ativos em moeda estrangeira mantidos em seu Fundo de Estabilização Cambial, o ESF, por ienes, para conter a volatilidade e evitar que o problema se espalhasse.

O que foi a intervenção conjunta de 31 de julho

Japão e Estados Unidos realizaram uma rara intervenção conjunta de compra de ienes em 31 de julho, com o objetivo de impedir que uma onda de vendas do iene e dos títulos do governo japonês se espalhasse para outros mercados.

O iene chegou a atingir uma mínima em 40 anos, próxima a 164 por dólar, no mês passado, e, após a intervenção, subiu até 155,20, mas voltou a enfraquecer em direção a 160 por dólar e caiu brevemente abaixo desse nível na sexta-feira, um limiar amplamente visto como aumentando a probabilidade de intervenção.

Comentários do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, reacenderam expectativas de alta de juros nos EUA no curto prazo, contribuindo para a volatilidade cambial e pressões sobre o iene.

O papel do ESF e precedentes recentes

Bessent destacou que, ao realizar a operação, o Tesouro utilizou o ESF, e lembrou precedentes em que o fundo apoiou estabilidade, citando Argentina.

Ele afirmou, citando um exemplo, que “o mesmo princípio foi aplicado na Argentina, onde o Tesouro utilizou o Fundo de Estabilização Cambial para estabilizar o país em um momento de grave iliquidez de curto prazo e para impedir que o problema se transformasse em uma crise regional mais ampla”.

O secretário também declarou, em defesa da ação conjunta com Tóquio, que “A crise mais bem administrada é aquela que nunca acontece”.

O ESF, conforme destacado na carta, “é uma reserva de emergência administrada pelo Tesouro dos EUA para estabilizar os mercados cambiais e financeiros domésticos”. No ano passado, o Tesouro utilizou o ESF para ajudar a sustentar o mercado do peso argentino e fornecer uma linha de swap cambial de US$ 20 bilhões, com o objetivo de estabilizar a moeda.

Consequências e o que observar adiante

Analistas e autoridades monitoram o caminho do iene, porque oscilações persistentes podem exigir novas intervenções coordenadas e aumentar a incerteza nos mercados globais, afetando custos de crédito e investimento.

Para investidores e empresas, a mensagem do Tesouro é clara, a preocupação com as oscilações do iene não é apenas regional, e pode ter impacto direto sobre condições financeiras internacionais, incluindo financiamento para famílias e empresas nos EUA.


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