Ibovespa fecha o último pregão de agosto com alta de 1,00%, registra nona sessão seguida de ganhos, Petrobras se destaca, mas o mês termina no vermelho e preocupações fiscais aumentam

O Ibovespa encerrou a segunda-feira, último pregão de agosto, em alta de 1,00%, aos 177.418,78 pontos, com ganho de 1.754,16 pontos, marcando a nona alta consecutiva.

A alta do índice foi impulsionada pela força das ações de energia e pelos bancos, com destaque para a valorização de Petrobras, que disparou 3,38% no pregão, segundo dados do dia.

Mesmo com a sequência positiva, o mês de agosto terminou com recuo de 0,33%, reflexo das onze quedas seguidas observadas no início do mês, que pesaram no resultado mensal.

conforme informação divulgada pela Reuters e pelo Banco Central.

O que moveu o pregão e a imprensa do mercado

O principal motor do dia foi a alta nos preços do petróleo, que empurrou as petroleiras para cima e deu fôlego ao Ibovespa. O Brent com vencimento em outubro fechou com alta de 2,71%, a US$ 90,49, enquanto o WTI subiu 2,83%, a US$ 85,76, refletindo temores de novas interrupções no abastecimento após ataques entre Estados Unidos e Irã.

Além de Petrobras, as petroleiras juniores também avançaram, com PRIO3 subindo 3,53%, RECV3 valorizando 2,45% e BRAV3 com alta de 0,76%, conforme os registros do dia.

No setor financeiro, os bancos foram destaque, com Banco do Brasil (BBAS3) em alta, registrando ganhos expressivos entre os mais negociados, enquanto Santander (SANB11) foi a exceção entre os grandes, terminando em queda.

Cenário externo, taxas e dólar

Em Nova York, os principais índices fecharam em queda no dia, com investidores reagindo à retomada de confrontos entre EUA e Irã, embora o mês ainda termine no campo positivo para Wall Street.

O dólar comercial cedeu, com baixa de 0,31%, cotado a R$ 5,180 na venda, recuperando leve trégua após três altas seguidas. Já os juros futuros (DIs) terminaram de forma mista, em reação ao cenário doméstico e ao exterior.

Analistas ouvidos pelo mercado destacaram que, apesar do aumento dos preços do petróleo, ainda há oferta suficiente no curto prazo. Como afirmou o estrategista Tom Hainlin, da U.S. Bank Asset Management, “O mundo tem petróleo suficiente para suas necessidades, e um preço entre US$ 80 e US$ 90 não é tão restritivo a ponto de levar a economia ao colapso“, frase reproduzida em cobertura internacional.

Situação fiscal no Brasil e impacto nas expectativas

O quadro fiscal doméstico trouxe sinais de pressão. Conforme dados do Banco Central, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) subiu de 81,9% em junho para 82,5% do PIB em julho. Em valores nominais, a dívida passou de R$ 10,809 trilhões para R$ 10,947 trilhões.

O setor público consolidado registrou déficit nominal de R$ 97,602 bilhões em julho, após déficit de R$ 165,966 bilhões em junho, dados que reforçam a atenção dos investidores à trajetória da dívida e ao controle de despesas.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo mira um superávit de 0,1% do PIB em 2027 e defendeu o fortalecimento da regra fiscal atual, além de medidas para reduzir o custo do dinheiro, como prioridade para a agenda econômica.

Reações do mercado e próximos passos

Entre as ações, houve movimentos extremos: a varejista Casas Bahia (BHIA3) chegou a registrar alta de 65,00% após confirmação de efeitos da antecipação do pedido de recuperação judicial, enquanto Natura (NATU3) reagiu positivamente à volta do ex-CEO Alessandro Carlucci.

O Boletim Focus mostrou revisões modestamente negativas para o IPCA e para o crescimento em 2026, com projeções para câmbio e juros mantidas, o que manteve os DIs e o mercado de renda fixa em atenção.

Para setembro, o calendário traz dados importantes, como a divulgação do PIB do segundo trimestre no Brasil, que pode redesenhar expectativas antes das eleições, e potenciais repercussões de choques externos sobre inflação e política monetária, especialmente se o petróleo se mantiver acima de US$ 90 por barril.

Em síntese, o Ibovespa fechou o mês com a sequência de nove altas, mas não conseguiu superar o desgaste acumulado em agosto, enquanto fatores externos e o quadro fiscal seguem como os principais riscos para a continuidade da recuperação do índice.


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