iFood protocolou uma representação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica, pedindo a abertura de processo administrativo contra a Keeta por supostas práticas predatórias no mercado de delivery brasileiro.
A empresa sustenta que a Keeta, controlada pela chinesa Meituan, opera com lucro negativo por pedido no Brasil e estaria subsidiando artificialmente a operação para conquistar participação de mercado, eliminando concorrentes, segundo a representação.
O pedido ao Cade inclui três medidas concretas, entre elas a adoção de medida preventiva de cessação imediata de preços abaixo do custo e acesso periódico aos dados de custos e precificação da plataforma, conforme informação divulgada pelo iFood e pela Keeta.
O que o iFood alega e as medidas solicitadas
Segundo o iFood, a ação não seria apenas uma disputa entre concorrentes, mas “não é uma disputa de narrativa entre concorrentes, mas resposta a um risco sistêmico para o ecossistema de delivery brasileiro: plataformas, restaurantes e entregadores“, afirma a representação.
A empresa pede a abertura de processo administrativo formal, a adoção de medida preventiva para cessar imediatamente práticas de precificação abaixo do custo, e acesso periódico aos dados de custos e precificação da Keeta para permitir monitoramento independente do órgão antitruste.
O iFood alerta para a urgência da intervenção, dizendo que, em mercados onde o mesmo modelo foi aplicado, “a saída de concorrentes e a deterioração do ecossistema ocorreram em meses, antes que qualquer processo ordinário pudesse ser concluído”, e cita ações preventivas em países como Dubai, Kuwait e Arábia Saudita.
Reação oficial do iFood
O vice-presidente jurídico do iFood, Lucas Pittioni, afirmou, “É uma pena que tenhamos que desviar recursos que poderiam ser empregados para o setor evoluir, para fazer frente a uma guerra de subsídios que não se sustenta pelo mérito, pela melhor tecnologia, pelo melhor serviço ou pela melhor experiência para quem usa a plataforma“, em defesa do pedido ao Cade.
O iFood alega que o padrão documentado em outros mercados justificaria a adoção de medidas preventivas imediatas, para evitar danos que se consolidam em janela de intervenção estreita.
Resposta da Keeta
A Keeta contestou a representação e afirmou que a iniciativa do rival seria uma “clara estratégia monopolista para tentar desviar a atenção das autoridades da investigação à qual foram alvo, descumprindo o acordo que assinaram com o Cade em relação às exclusividades que prejudicam gravemente o mercado“.
Em nota, a Keeta afirmou que o iFood detém o monopólio do mercado brasileiro, está presente em milhares de cidades, e “claramente parece com medo da livre concorrência“.
A plataforma também disse que “O uso de cupons é uma prática comum do mercado e é utilizada por todos os players, incluindo o próprio iFood, que inclusive os vende por meio do Clube iFood“, e que seus cupons visam incentivar a experimentação inicial, com participação opcional dos restaurantes.
Contexto e próximos passos
A Keeta iniciou operações no Brasil em outubro de 2025, com piloto em Santos e São Vicente, no litoral de São Paulo, e ainda não teria sido notificada sobre a representação, segundo a própria empresa.
A companhia finalizou dizendo que o setor precisa urgentemente de decisões que promovam “um mercado aberto para o benefício de todo o ecossistema, possibilitando o crescimento sustentável, criando mais oportunidades para restaurantes e parceiros de entrega, preservando a escolha do consumidor e acelerando a inovação” e afirmou estar disposta a fornecer informações às autoridades antitruste.
O processo foi protocolado no domingo, 30, e só será público se a Superintendência-Geral do Cade aceitar a denúncia e abrir procedimento no sistema, o que deverá determinar os próximos passos do caso.

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