Mercado reage com altas leves nas taxas dos DIs após TSE suspender propaganda de Renan Santos, pesquisas apontam disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, e Treasuries avançam

As taxas dos DIs de curto prazo fecharam a segunda-feira em alta, em um dia marcado por notícia eleitoral e movimento dos juros internacionais.

A decisão do Tribunal Superior Eleitoral alterou o humor dos investidores, enquanto duas pesquisas e o avanço dos rendimentos dos Treasuries também influenciaram os ajustes nas curvas locais.

Conforme informação divulgada pela Reuters.

Decisão do TSE e medidas contra Renan Santos

O ministro Dias Toffoli determinou a suspensão da propaganda eleitoral de Renan Santos em sites, blogs e outros aplicativos não informados à Justiça Eleitoral, e também barrou repasses do fundo partidário e o direito de Renan Santos participar de debates em meios de comunicação, entre outras determinações, segundo a Reuters.

A decisão citou perfis irregulares nas redes sociais que divulgavam conteúdos favoráveis à candidatura, com milhares de seguidores, e foi vista pelo mercado como negativa para a perspectiva de ajuste fiscal do governo.

Como as taxas dos DIs se moveram

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,815%, com alta de 4 pontos-base ante o ajuste de 13,779% da sessão anterior, enquanto o DI para janeiro de 2035 marcava 14,58%, com baixa de 1 ponto-base ante 14,589%, conforme dados citados pela Reuters.

Durante a sessão, a taxa do DI para janeiro de 2028 registrou a mínima intradia de 13,740%, (-4 pontos-base) às 9h07, e atingiu a máxima de 13,820%, (+4 pontos-base) às 15h37, já depois da notícia sobre Renan Santos.

Pesquisas eleitorais e efeito sobre o mercado

Pela manhã, duas pesquisas mostraram uma disputa mais apertada entre Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg indicou Lula com 47,1% das intenções de voto em um segundo turno, contra 42,6% de Flávio Bolsonaro, com margem de erro de 1 ponto percentual, e lembrou os números de julho, de 49,2% e 42,9%, respectivamente.

Já a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 46% no segundo turno, contra 45% de Flávio, com margem de erro de dois pontos percentuais, o que configurou empate técnico. Parte do mercado vê a reeleição de Lula como um fator negativo para o equilíbrio fiscal, e uma disputa mais acirrada tem sido percebida como fator baixista para o dólar e para a curva de juros.

Cenário externo, petróleo e Treasuries

O cenário internacional também contribuiu para o movimento das taxas dos DIs. As ações militares no Oriente Médio elevaram o preço do petróleo, com o Brent para acima dos US$90 o barril, reforçando preocupações inflacionárias.

Às 16h35, o rendimento do Treasury de dez anos subia 3 pontos-base, a 4,748%, segundo a Reuters, e esse avanço nos Treasuries de longo prazo trouxe impulso altista para as curvas domésticas.

Outros fatores fiscais e declarações do governo

No evento do BTG Pactual em São Paulo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu que a atual regra fiscal do país seja reforçada, e não substituída, e disse que algumas políticas sociais podem deixar de ser ‘obrigatórias’ no Brasil, entrando na classificação de ‘controle de fluxo’, que dá maior flexibilidade na execução.

Durigan prometeu ainda que a partir de 2027 o governo terá superávits primários ‘crescentes e recorrentes’, e afirmou que é preciso avançar na agenda para levar a taxa de juros brasileira a um patamar civilizado. A dívida bruta brasileira subiu de 81,9% em junho para 82,5% em julho, informou mais cedo o Banco Central.

Em resumo, as taxas dos DIs encerraram o dia com altas leves, em reação a decisões do TSE, pesquisas eleitorais mais apertadas e a alta dos rendimentos no exterior, combinando fatores que devem manter a atenção dos investidores nas próximas sessões.


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