Alta do petróleo refletiu novos ataques entre Estados Unidos e Irã no Golfo Pérsico, com risco de interrupções no fornecimento e pressões sobre estoques estratégicos, elevando incerteza global
O mercado reagiu com alta nesta segunda-feira, 31, após a retomada de ataques entre Estados Unidos e Irã, no que foram os primeiros confrontos desde julho.
As cotações subiram com força, enquanto analistas e autoridades passam a avaliar impactos no abastecimento e no bolso do consumidor.
Os movimentos no Golfo Pérsico e os números sobre estoques nos Estados Unidos alimentaram a preocupação entre traders e governos, conforme informação divulgada pela Reuters.
Cotações e números do mercado
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para outubro fechou em alta de 2,83% (US$ 2,36), a US$ 85,76 por barril.
O petróleo Brent para novembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em alta de 2,71% (US$ 2,39), a US$ 90,49 por barril.
Cenário geopolítico e declarações
Os Estados Unidos atacaram no fim de semana partes da ilha iraniana de Larak, o que Teerã diz ser uma violação de sua soberania nacional.
Em resposta, o Irã realizou “golpes defensivos e contundentes” contra as bases militares americanas na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos, e disse que continuará exercendo seu “direito de defesa”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington responderá ao ataque do Irã “com força”, prometendo que haverá uma resposta. Já o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que Teerã ainda busca uma saída negociada para o conflito e que a guerra “não é do interesse de ninguém”.
Repercussão doméstica e medidas previstas
Com o preço do petróleo em alta e o conflito sem perspectiva rápida de resolução, o secretário do Interior dos Estados Unidos, Doug Burgum, disse que Trump se reunirá na terça-feira, na Casa Branca, com executivos de refinarias pequenas, médias e grandes para discutir formas de reduzir os preços da gasolina.
Além disso, o governo americano confirmou acordo para acessar reservas da Venezuela, medida que busca aliviar pressões imediatas no mercado interno.
Reservas estratégicas dos EUA e riscos para o abastecimento
Segundo a Reuters, analistas alertam que as Reservas Estratégicas de Petróleo (SPR, em inglês) dos EUA se aproximam de níveis críticos.
Pelo menos 70 milhões de barris são necessários para manter o funcionamento básico e 250 milhões para suportar as operações do país de maneira segura.
Na semana passada, as reservas renovaram menor nível desde 1982, a 289,7 milhões de barris, e, segundo cálculos da Reuters, devem perder mais 39 milhões de barris conforme os americanos cumpram sua parte do acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE) caindo para 243 milhões de barris.
O conjunto de fatores, que inclui a escalada geopolítica no Golfo Pérsico e níveis de estoques em queda, tende a manter a pressão sobre o preço do petróleo nas próximas semanas, com efeitos diretos no custo da energia e na inflação global.

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