Open Finance registra avanço em escala com cerca de 800 instituições participantes, porém apenas 21% dos usuários se dizem informados, e eficiência do sistema precisa melhorar

O sistema de compartilhamento de dados financeiros já opera em grande escala, permitindo que consumidores compartilhem suas informações entre instituições para acessar produtos mais alinhados ao seu perfil.

Os consentimentos, autorizações que clientes dão para compartilhar dados, cresceram de forma acelerada, e a evolução abre espaço para redução do custo do crédito e novas ofertas personalizadas.

O estudo aponta, porém, desafios de comunicação e de eficiência técnica que precisam ser enfrentados para consolidar benefícios para consumidores e instituições, conforme informação divulgada pela Zetta, com dados da AtlasIntel.

Escala e conhecimento do público

Segundo o levantamento, o Open Finance já soma cerca de 240 milhões de consentimentos ativos no país, reunindo aproximadamente 800 instituições participantes. O número saltou de 41,9 milhões em dezembro de 2023 para cerca de 240 milhões em julho deste ano.

Apesar do crescimento, a pesquisa mostra que 81,9% dos entrevistados já ouviram falar do Open Finance, mas apenas 21% se consideram informados sobre seu funcionamento. Metade da população desconhece funcionalidades já disponíveis, como a portabilidade de crédito com juros menores.

Prioridades dos consumidores

Entre as demandas dos usuários, a portabilidade salarial aparece como prioridade, citada por 41,7% dos entrevistados. A capacidade de transferir informações para obter ofertas de crédito mais baratas é vista como um dos usos mais práticos do ecossistema.

O estudo ressalta que o Open Finance é uma ferramenta para reduzir o custo do crédito, ao permitir que diferentes instituições avaliem o histórico financeiro do cliente de forma integrada.

Gargalos de eficiência e desperdício

Um problema identificado pela pesquisa é o desperdício de recursos. Mais de 60% das consultas automáticas por dados são consideradas inúteis, percentual que poderia cair se o modelo passasse a enviar informações apenas quando houvesse mudança real.

Com essa alteração, a eficiência poderia subir para mais de 93% e o tempo de atualização, que hoje pode chegar a 14 dias, poderia ser reduzido para cerca de 15 minutos.

Taxa de sucesso e necessidade de fiscalização

Outro ponto crítico é a taxa de sucesso nas trocas de dados entre instituições, que fica em média em 57% e, em alguns casos, cai a cerca de 20%. Essa instabilidade impacta a experiência do usuário e a confiança no sistema.

A Zetta destaca que a nova fase do Open Finance não é mais sobre adesão inicial, já consolidada, mas sobre aprimoramentos em três frentes, experiência do usuário, performance e eficiência do sistema.

“O avanço da regulamentação e a adesão crescente de instituições e consumidores indicam uma perspectiva muito positiva para o futuro do ecossistema”, afirma Eduardo Lopes, presidente da Zetta.

Para a entidade, é necessária maior fiscalização por parte do Banco Central e ajustes operacionais para elevar a taxa de sucesso nas trocas de dados, reduzir desperdícios e ampliar o entendimento do público sobre as oportunidades que o Open Finance oferece.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *