Perseguir os melhores FIIs mensalmente exigiu 1.044 trocas em 10 anos, e a estratégia que compra vencedores de ontem gerou perda, mais do que custo operacional, entenda os números

Abrir a carteira e girar porque um fundo subiu, ou caiu, é um impulso comum entre investidores de FIIs.

Um levantamento do Clube FII mostrou quanto esse comportamento custa em prática, em retornos e em trocas, ao longo de uma década.

Os dados expõem que seguir o topo mensal não é apenas caro, é perdedor quando comparado a estratégias mais passivas, conforme informação divulgada pelo Clube FII.

Quanto custa perseguir os melhores FIIs

O estudo perguntou de forma simples, se alguém quisesse estar todo mês nos dez fundos que mais sobem, quantas trocas seriam necessárias, tomando como base 209 fundos da base do Ifix entre agosto de 2016 e agosto de 2026.

O resultado foi que ficar no top 10 exigiria 1.044 trocas em 120 meses, o que corresponde a 2.088 ordens de compra e venda, porque na prática troca-se a maior parte do conjunto todo mês, em média 8,7 dos dez fundos.

Em 30 desses 120 meses, a carteira trocaria os dez de uma vez, e em nenhum mês o top 10 se repetiu. Um fundo que está no top 10 tem 13% de chance de continuar lá no mês seguinte. Para os dez continuarem juntos, a chance calculada foi algo como uma chance em 725 milhões, e se fosse sorteio puro entre os fundos negociados num mês típico, uma em 714 trilhões.

Comprar o vencedor de ontem, prejuízo em uma década

O Clube FII simulou a estratégia de comprar, todo mês, os dez fundos que mais subiram no mês anterior, e deu um presente à hipótese, zero corretagem e zero imposto sobre ganhos de cada giro.

O resultado surpreende por seu realismo, ainda que otimista em custos: R$ 100 investidos em agosto de 2016 viraram R$ 89 dez anos depois, ou seja, prejuízo.

No mesmo período, o Ifix entregou 112%, e uma carteira passiva, com todos os fundos da base e rebalanceada de forma preguiçosa, entregou 126%. Com custos reais de spread e emolumentos, o buraco seria bem maior.

O estudo também mostra o absurdo estatístico do outro extremo, quando alguém acerta antecipadamente o top 10, multiplicando capital por mais de 660 mil vezes, ou cerca de 282% ao ano, sinal claro de que essa estratégia não é replicável, é fruto de seleção ex-post, não de regra operacional.

O pódio mensal mede volatilidade, não qualidade

Ao analisar quem mais frequentou o top 10, o levantamento mostrou que não são necessariamente os melhores fundos da década que aparecem nas listas mensais, e sim os mais voláteis.

Dos 209 fundos, 190 passaram pelo pódio em algum momento. Os frequentadores assíduos, com dez ou mais aparições, renderam na mediana 5,6% ao ano, enquanto os que quase nunca apareceram renderam 7,7% ao ano.

Muitos campeões de um mês eram fundos em crise que deram um salto após uma queda violenta, o famoso efeito do gato morto que quica alto. O ranking mensal confunde um pulo com uma recuperação, valorizando volatilidade em vez de qualidade de gestão e tese.

O que fazer, na prática

Isso não significa nunca mexer na carteira, porque rebalancear com critério e sair de uma tese que deixou de fazer sentido são ações necessárias e racionais.

O que os números condenam é o giro por impulso, a remodelagem da carteira a cada manchete. Antes da próxima troca, a pergunta honesta que o estudo recomenda é simples, o que eu sei que o mercado ainda não sabe?

Se a resposta for nada, ficar parado também é decisão, e pelos dados do Clube FII, é muitas vezes a mais bem paga.


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