MP aponta que integrantes do grupo adotaram identidade falsa, apagaram mensagens e mudaram nomes para tentar desvincular a distribuidora do restante das empresas após a operação Carbono Oculto

Executivos da Terrana trocaram mensagens em um grupo privado, apagaram diálogos e adotaram cuidados para ocultar vínculos, segundo a investigação do Ministério Público.

As ordens vinham de um homem identificado como “Leo”, que, conforme a apuração, seria Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, hoje foragido.

O caso envolve também mudanças de nome por executivos e uma engenharia financeira complexa para viabilizar aquisições sem exposição direta do grupo.

conforme informação divulgada pelo g1.

Como funcionava a ocultação

Segundo o MP, as ordens para a aquisição e a operação cotidiana da Terrana eram enviadas em um grupo de WhatsApp chamado “Novo direção terrana“, criado em dezembro de 2024, que reunia responsáveis pelas áreas financeira, comercial e contábil.

Depois da primeira fase da operação Carbono Oculto, em agosto de 2025, os executivos discutiram separar a imagem da distribuidora das demais empresas investigadas, e em setembro um integrante apresentou um plano para “segregar” a Terrana do grupo.

As conversas eram marcadas por cautela, com uso de mensagens temporárias e exclusão de diálogos, e houve até mudança de identificação de uma executiva, com Ioná Patrícia de Lima Andrade começando a usar o nome Camila Junqueira após reportagens sobre sua atuação na distribuidora.

Estrutura de financiamento e operação circular

Investigadores destacam que o financiamento da operação chamou atenção por ser uma estrutura que, na avaliação do MP, configurou uma operação circular, com recursos do próprio grupo sustentando os empréstimos.

O fundo Radford, administrado pelo Banco Genial, tinha como única cotista a Usina Itajobi, ligada ao grupo de Mohamad e de Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco.

O Radford aplicou em títulos emitidos pelo Genial, que serviram de lastro para empréstimos concedidos à Branson e à Berna, as holdings usadas nas aquisições, ou seja, dinheiro do próprio grupo foi usado como garantia para viabilizar a compra da Terrana sem aparecimento formal dos verdadeiros interessados.

Imóveis, fundos e movimentações suspeitas

A arquitetura incluiu também o Derby 44, hoje Wels, e o fundo imobiliário Los Angeles 01, hoje Lucerna, com o Derby sendo o principal cotista do Los Angeles, que concentrava imóveis que antes pertenciam a empresa da mulher de Mohamad.

Segundo a Justiça, “os próprios imóveis que seriam comprados com o empréstimo concedido à Berna foram apresentados como garantia da operação”, o que reforça a interconexão entre as estruturas montadas para a aquisição.

Papel do núcleo jurídico e transferências bilionárias

O núcleo jurídico do grupo, segundo o MP, organizou a estrutura societária e financeira. O advogado Rogério Garcia Peres, apontado como responsável por essa organização, teria movimentado cerca de R$ 500 milhões de sua conta pessoal para a Entre Payments, valor quatro vezes maior que seu patrimônio declarado.

O escritório Garcia Peres Advogados Associados constituiu a Branson e a Berna, e, conforme a investigação, Rogério coordenou transferências de fundos do grupo, enquanto outro integrante do núcleo jurídico teria simulado compra e venda de imóveis do Derby 44 para dar aparência de legalidade às operações.

O conjunto de ações, que envolve identidades falsas, mensagens apagadas, empréstimos lastreados por títulos do próprio banco e uso de imóveis do grupo como garantia, é central para as suspeitas sobre a forma como foi construída a compra da Terrana, conforme aponta o Ministério Público.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *