Governador e candidato à reeleição acusa governo de usar a proibição das bets por motivo eleitoral, questiona prazos para resgate e liga anúncio a manobra política a poucos dias do pleito
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas, classificou a proibição das bets como uma iniciativa de caráter eleitoral e pediu esclarecimentos sobre seus efeitos para a população e para clubes de futebol.
Ele reafirmou ser contra as apostas, mas questionou o momento da medida e se o governo levou em conta as consequências práticas para apostadores e instituições afetadas.
As declarações foram dadas em evento no Itaim Paulista, em São Paulo, e publicadas conforme informação divulgada pelo g1.
O que Tarcísio disse sobre a proibição das bets
Ao ser questionado sobre a iniciativa do governo federal, Tarcísio afirmou, em tom crítico, “É claro que é oportunismo eleitoral. O senso de urgência só foi desenvolvido agora? Agora eles perceberam que isso é um problema, faltando nove dias, uma semana para a eleição?”
O governador, que apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, declarou ainda que é contrário aos jogos, mas não deixou explícito se apoiaria a medida provisória relacionada às bets, e cobrou transparência nas decisões do Executivo.
Prazos e detalhes anunciados pelo governo
O governo Lula formalizou a proibição das bets em evento em São Paulo, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que os apostadores terão até as 23h59 de 5 de outubro, dia seguinte à votação do primeiro turno, para resgatar os saldos nos sites de jogos.
O aviso sobre o prazo para resgate foi um dos pontos que Tarcísio questionou, por causa do curto intervalo entre o anúncio e o fim da possibilidade de movimentação das contas.
Contexto político e pacote econômico anunciado
Na mesma noite em que anunciou a proibição, o governo lançou o Desenrola 3.0, um programa avaliado em R$ 15 bilhões voltado à redução do endividamento das famílias, medida apresentada a nove dias da eleição.
Tarcísio aproveitou para criticar a lógica das renegociações, afirmando que o brasileiro não quer depender de sucessivas edições do Desenrola, e associou o endividamento à elevação de juros, que atribuiu aos gastos do governo federal.
Além de questionar a motivação eleitoral da proibição das bets, o governador também levantou dúvidas sobre a possibilidade de uso de recursos dos trabalhadores para ajudar clubes de futebol, e pediu mais detalhes sobre a efetividade e a transparência das medidas tomadas.

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