Liberdade parcial de presos políticos na Venezuela após segunda rodada de negociações, ONG confirmou 39 libertações, Foro Penal registrava 344 presos políticos em 18 de setembro

Um novo grupo de presos políticos foi libertado na Venezuela entre sexta-feira e sábado, após o encerramento da segunda rodada de diálogo entre o governo interino de Delcy Rodríguez e a oposição.

Organizações de direitos humanos informaram que cerca de 40 pessoas detidas por motivos políticos deixaram diferentes prisões do país, incluindo cerca de oito mulheres acusadas de “narcoterrorismo” em 2021.

A ONG Justiça, Encontro e Perdão informou neste sábado, 26, que confirmou diretamente 39 libertações, e o Foro Penal havia divulgado em 18 de setembro que ainda havia 344 presos políticos na Venezuela, dados que colocam a questão dos presos políticos na Venezuela no centro das negociações, conforme informação divulgada pela LE.IA, a IA do Estadão.

Quem foi libertado e casos em destaque

Entre as libertações confirmadas estão seis pessoas acusadas no caso conhecido como Operação Gedeón, em que o governo venezuelano acusou civis e militares venezuelanos e americanos de participação em uma tentativa de derrubar Nicolás Maduro.

Também foram confirmadas a soltura de Josnars Baduel, filho do general Raúl Isaías Baduel, e de Frank Cabañas, ligado ao caso de Óscar Pérez, morto durante uma operação militar em 2018. Esses nomes reforçam o caráter político de parte das detenções e o foco das ONGs em acompanhar cada libertação.

O diálogo, a mediação dos EUA e a lei de anistia

Fontes relataram que a segunda rodada de negociações entre o governo interino e a oposição terminou na sexta-feira e avançou com o aval de Washington, após a captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em janeiro.

Rodríguez, que governa sob forte pressão dos Estados Unidos, promulgou uma lei de anistia em fevereiro, após a captura de Maduro. Apesar disso, as liberações têm ocorrido de forma gradual e sem um cronograma público detalhado.

Reações da oposição, ONGs e familiares

Dinorah Figuera, que lidera as negociações pela oposição, pediu mais avanços, ao afirmar, “Que sejam libertados todos os que hoje estão atrás das grades por pensar diferente”. Ela acrescentou, “Continuaremos ao lado dos presos políticos, de suas famílias, das ONGs que os defendem e de cada cidadão que sonha em ver os seus reunidos na Venezuela que merecemos”.

Oscar Murillo, coordenador da ONG Provea, pediu no X a liberação de “todas as pessoas injustamente detidas”. Familiares e organizações de direitos humanos seguem cobrando que a situação dos presos políticos na Venezuela seja tratada oficialmente nas conversas entre governo e oposição.

Números, protestos e próximos passos

Organizações afirmaram que as libertações até agora somam cerca de 40 pessoas, com a ONG Justiça, Encontro e Perdão confirmando 39 libertações. O Foro Penal, que atua na defesa de pessoas detidas por motivos políticos, ainda não atualizou seu balanço desde 18 de setembro, quando apontou 344 presos políticos.

Familiares mantêm protestos frequentes, e um grupo ainda passa as noites perto da Embaixada dos Estados Unidos na Venezuela e nos arredores da prisão El Rodeo I, que organizações não governamentais consideram um centro de tortura. A inclusão do tema das liberdades nas negociações e a fiscalização internacional sobre o cumprimento das promessas serão determinantes para os próximos passos.


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