A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou a Operação Perseu 7 para desarticular uma plataforma clandestina que oferecia serviços de **venda de dados sigilosos** na internet por meio de assinaturas, segundo a investigação.
A ofensiva cumpriu ordens judiciais em seis estados e mobilizou mais de 80 policiais civis, com medidas que incluem bloqueio de bens e retirada do site do ar.
Os relatórios apontam que a organização movimentou mais de R$ 7 milhões entre março de 2021 e março de 2026, e que cobria mensalidades para disponibilizar consultas por CPF e CNPJ, conforme informação divulgada pelo g1.
Como funcionava a plataforma e o esquema de golpes
A plataforma clandestina, identificada como Mind-7, oferecia um painel de consultas alimentado por números de CPF e CNPJ, que gerava relatórios completos com nomes, filiação, endereços, registros de documentos, vínculos pessoais e processos judiciais em andamento.
Com esses dados centralizados, criminosos adquiriam acesso para planejar abordagens **personalizadas** contra vítimas, entre elas golpes em que fraudadores se passavam por advogados e cobravam depósitos sob justificativa de liberação de valores retidos na Justiça.
Segundo a investigação, “Eram dados sensíveis, inclusive governamentais, por exemplo, dados de Receita Federal, dados de processos judiciais. E alimentavam essa plataforma para que estivessem ali à disposição. Cobravam uma mensalidade para as outras organizações criminosas praticarem diversos crimes cibernéticos”, afirmou o delegado-chefe da DRCC, João Guilherme Carvalho.
Prisão, busca e medidas judiciais
A Justiça autorizou 13 mandados de prisão temporária e medidas de busca e apreensão em operações realizadas em São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Paraná, Espírito Santo e Pernambuco.
Além das ordens de prisão e busca, a decisão judicial determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos até o teto de R$ 7 milhões, e a retirada imediata do site do ar. Foram atingidos imóveis, veículos de luxo e uma embarcação ligados aos investigados.
Movimentação financeira e ocultação
Os relatórios financeiros identificam que a organização movimentou mais de R$ 7 milhões entre março de 2021 e março de 2026, com aceleração recente, pois mais de R$ 4 milhões entraram nas contas do grupo no ano passado.
Para ocultar os recursos ilícitos, o grupo usava empresa de fachada, contas bancárias coletivas e transferências trianguladas em moedas digitais, além de laranjas para controlar contas, segundo o inquérito.
Riscos para vítimas e recomendações
A disponibilização massiva de informações sensíveis pela prática de **venda de dados sigilosos** facilita fraudes variadas, como golpes financeiros, roubo de identidade e extorsão, colocando cidadãos e entidades em risco.
Especialistas e autoridades recomendam checar comunicações antes de realizar pagamentos, contestar contatos que peçam depósitos para liberação de valores, e monitorar relatórios de crédito. Em casos de suspeita, registre boletim de ocorrência e procure orientação da polícia especializada.

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