Empreiteiras estão migrando para a construção industrial, com paredes de drywall, módulos de banheiro e elementos pré-fabricados, buscando eficiência, limpeza e menor uso de mão de obra
A forma de erguer prédios em São Paulo está mudando, com um choque entre métodos artesanais e o que se chama construção industrial.
Essa transição reúne tecnologias como drywall, steel frame e módulos prontos, que prometem reduzir resíduos, acelerar cronogramas e tornar os canteiros mais limpos.
O leitor vai entender como funcionam essas técnicas, quais são os entraves de custo e projeto, e que impacto isso tem no trabalho da construção.
conforme informação divulgada pelo g1
Do artesanal ao industrial, o que muda nos canteiros
Na construção tradicional predominam concreto e alvenaria, enquanto no sistema industrial as paredes de drywall, feitas com placas de gesso, isolam apartamentos e delimitam espaços internos.
Outras soluções incluem pilares, vigas e lajes pré-fabricados ou pré-moldados de concreto, montados no canteiro, e o steel frame, que substitui tijolos por estrutura de aço galvanizado.
Segundo o texto, “o drywall é uma tecnologia que chegou ao Brasil no final dos anos 1980 para ser usada em escritórios e prédios comerciais e há pouco mais de uma década começou a aparecer em edifícios residenciais na cidade.”
Benefícios, preconceitos e economia de tempo
Há entraves, entre eles custo mais alto e prazo de projeto mais longo, e ainda o preconceito de alguns consumidores que não querem morar em apartamentos com paredes de drywall.
Mesmo assim, a adoção aumenta pela praticidade, porque “a construção industrial é mais leve, alivia o custo da estrutura, sem contar que é limpa porque produz poucos resíduos”, e “Além disso, tem mais resistência térmica e acústica.”
Gustavo Garrido, presidente da Asbea-SP, observa que o desenvolvimento do plano industrial demora mais, “de 20% a 30% mais longo do que o tradicional. Em compensação, a construção chega ao fim em pelo menos um terço do tempo.”
Impacto na mão de obra e no mercado imobiliário
O uso maior de componentes pré-fabricados altera o perfil dos trabalhadores, com crescimento da necessidade por mão de obra especializada em detrimento do trabalho braçal.
Garrido destaca uma escassez generalizada, porque “Há falta de mão de obra em todos os níveis e as construtoras estão procurando técnicas de montagem mais secas e limpas”, e que “O que se busca é sustentabilidade.”
Ele também calcula proporções e números: “a proporção de uso entre as soluções artesanais e industriais é de seis para quatro”, e para erguer um edifício de 24 andares pelo sistema tradicional seriam necessárias “de 100 a 200 pessoas no processo. Com as novas tecnologias esse número pode ser reduzido a um terço.”
Desafios para a adoção em larga escala
O método industrial enfrenta barreiras de custo e de tempo de projeto, além de resistência cultural do consumidor e críticas sobre padronização dos edifícios.
Por outro lado, defensores argumentam que o ganho de racionalidade na execução compensa o prazo mais longo do projeto, com módulos como banheiros semiprontos chegando prontos para instalação, e janelas e portas pré-montadas exigindo apenas encaixe.
Além das mudanças técnicas, o setor encara um desafio geracional, com menos jovens interessados na profissão de pedreiro, em parte por exposição a ambientes insalubres e às piores consequências das ondas de calor e mudanças climáticas.
O tema será debatido pela Asbea em evento citado na fonte, referido como “a 2ª edição de seu seminário anual, cujo tema é a sustentabilidade”, programado “entre os dias 31 de setembro e 1º de outubro, das 9h às 18h, no Distrito Anhembi”.
Enquanto isso, incorporadoras e empreiteiras analisam custo, eficiência e retorno sobre investimento para decidir até que ponto irão expandir a construção industrial nas próximas obras em São Paulo.

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