Alta dos Treasuries e do petróleo, mais pesquisas eleitorais, empurram as taxas dos DIs em toda a curva, com investidores atentos ao risco fiscal e à Selic
As taxas dos DIs fecharam em alta em toda a curva, com influência externa e dados locais que reforçaram a aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro.
No exterior, o avanço dos rendimentos dos Treasuries e o salto do petróleo ampliaram pressão sobre os juros domésticos, enquanto duas pesquisas eleitorais no Brasil reacenderam a cautela dos investidores.
Conforme informação divulgada pela Reuters.
Movimento dos DIs e números do dia
Ao final da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,655%, com alta de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,632% da sessão anterior.
Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 ficou em 14,03%, com elevação de 6 pontos-base ante 13,97%.
Cenário externo, petróleo e Treasuries
O barril do Brent oscilou acima dos US$105 no fim da tarde, com nova alta em meio ao impasse nas negociações de paz entre EUA e Irã e à reação a declarações recentes de líderes internacionais.
Os rendimentos dos Treasuries também subiram, com o título de dez anos registrando alta de 6 pontos-base no fim da tarde, a 5,24%, referência global para decisões de investimento.
Pesquisas eleitorais e impacto no mercado
Dois levantamentos divulgados nesta segunda-feira deram suporte às altas das taxas. A pesquisa BTG/Nexus mostrou aumento da vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com Lula com 46% das intenções no segundo turno e Flávio Bolsonaro com 44%, margem de erro de dois pontos percentuais.
No levantamento anterior, Lula tinha 46% e Flávio somava 45%. A pesquisa Quaest, por sua vez, indicou empate técnico, com 42% para Lula e 42% para Flávio, também com margem de erro de dois pontos; uma semana antes, Flávio tinha 42% e Lula 41%.
Segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, “A proximidade do primeiro turno da eleição também deixa o mercado mais nervoso, ainda que as pesquisas divulgadas hoje tragam pouca novidade em relação às anteriores”, em comentário por escrito.
Risco fiscal, dívida e expectativas
No noticiário local, o Tesouro Nacional informou que a dívida pública federal brasileira teve variação positiva de 0,04% em agosto ante julho, para R$9,293 trilhões.
Do total, 20,31% correspondiam a títulos prefixados, 23,22% a títulos vinculados a índices de preços, 52,74% a papéis com taxas flutuantes e 3,74% a papéis cambiais.
O boletim Focus divulgado pela manhã trouxe ajuste nas projeções de inflação, com a mediana para 2026 passando de 4,92% para 4,99% e para 2027 de 4,30% para 4,31%. As expectativas para a taxa básica Selic estão em 13,50% para este ano e 12,00% para o próximo. Atualmente a Selic está em 13,75%.
Com a combinação de alta dos rendimentos externos, elevação do petróleo e maior nervosismo por conta das pesquisas, o mercado mantém o foco no risco fiscal e na trajetória da Selic, fatores que devem seguir determinando os movimentos das taxas dos DIs nos próximos dias.

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