Famílias de alta renda estão transformando imóveis em dinheiro sem precisar deixar a residência, com opções que combinam compra do bem e permanência temporária no local.
O modelo conhecido como HomeCash permite ao antigo proprietário continuar morando no imóvel por até 18 meses, pagando aluguel e mantendo a opção de recompra.
Os dados apresentados pela empresa mostram como a operação vira uma fonte de liquidez imobiliária para reorganizar finanças pessoais ou financiar negócios, conforme informação divulgada pela Rooftop.
Como funciona o HomeCash e por que chama atenção
O HomeCash opera como uma compra do imóvel pela empresa, com contrato que autoriza o antigo proprietário a permanecer na casa ou no apartamento por até 18 meses, pagando aluguel, com possibilidade de recomprar durante o período.
Segundo a empresa, a operação é voltada a imóveis residenciais de alto padrão, e se posiciona como alternativa à venda tradicional ou ao crédito bancário, que pode ser caro e burocrático.
“Eu não chamaria de desinvestir. Quem procura uma operação de liquidez imobiliária quer usar o valor do imóvel sem abrir mão dele. No HomeCash, o cliente continua morando no imóvel e mantém o direito de recomprá-lo”, diz Daniel Gava, CEO da Rooftop.
Quem procura e para que usam o recurso
O levantamento da Rooftop mostra que 47,4% dos clientes que contrataram uma operação de liquidez imobiliária utilizaram o recurso para reorganizar a vida financeira, enquanto 16,5% direcionaram o dinheiro para a própria empresa.
Apenas 6% usaram a operação para antecipar a venda do imóvel, o que reforça a ideia de que muitos buscam liquidez sem perder o bem.
O perfil dos clientes ajuda a explicar a procura, com 68,7% recebendo mais de R$ 20 mil por mês, 72,8% são homens e 70% têm mais de 50 anos. Geograficamente, São Paulo concentra 36% dos clientes, enquanto o Rio de Janeiro aparece em seguida, com 6%.
Na composição profissional, empresários representam 20,83% dos clientes. Depois aparecem incorporadores, com 16,5%, contadores, com 12,5%, e advogados, também com 12,5%. Arquitetos e médicos ou dentistas representam 8,33% cada.
Por que proprietários de alta renda recorrem à liquidez imobiliária
Para Daniel Gava, a presença de clientes de renda elevada não significa perda de capacidade financeira, mas reflete o custo do dinheiro e a necessidade de liquidez pontual.
“Não é o imóvel que perdeu atratividade. Tanto que o cliente quer continuar nele e manter a opção de recomprar no futuro. O que pesa é o custo do dinheiro”, afirma Gava.
Em cenários de juros elevados e dívidas caras, como cartão de crédito e cheque especial, transformar patrimônio imobiliário em capital circulante pode reduzir custos financeiros ou permitir investimento no próprio negócio.
Gava também observa que “o imóvel está deixando de ser só patrimônio e passando a trabalhar pelo dono”, e que historicamente havia apenas duas opções, vender com desconto ou buscar crédito bancário, muitas vezes inadequado para empresários e profissionais liberais.
O executivo lembra, “O brasileiro concentra grande parte da riqueza em imóveis, mas usa muito pouco esse patrimônio como fonte de liquidez, bem menos do que em mercados como os Estados Unidos”, o que ajuda a explicar a adoção crescente de soluções como o HomeCash.
O que considerar antes de optar por vender sem sair de casa
Operações de liquidez imobiliária permitem acesso rápido a dinheiro, manutenção da moradia por período determinado e a possibilidade de recomprar o imóvel, mas devem ser avaliadas em contratos, prazos e custos envolvidos.
Para famílias de alta renda que buscam reorganizar finanças, pagar dívidas ou financiar empresas, o modelo oferece uma alternativa prática, transformando patrimônio imóvel em capital disponível sem perda imediata da residência.
Assim, vender a casa sem sair dela surge como estratégia crescente entre proprietários que querem liquidez, sem abrir mão do imóvel enquanto resolvem necessidades financeiras, especialmente em um cenário de custo alto do dinheiro.

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