União Europeia não prevê falta de gás, por enquanto, mas alerta que o próximo inverno será difícil, com preços muito elevados de energia e medidas em debate
A Comissão Europeia admite que o abastecimento não deve faltar no próximo inverno no hemisfério norte, porém prepara-se para um período mais caro e pesado para famílias e indústrias.
O comissário europeu da energia, Dan Jorgensen, disse que a situação é grave e que autoridades estão discutindo medidas para reduzir impactos e acalmar mercados.
“Não resta dúvida de que nos encaminhamos para um inverno difícil”, e “Em um inverno normal, cerca de 50 milhões de pessoas na Europa não conseguem aquecer seus lares adequadamente. Este inverno pode ser ainda pior. Por isso, levamos a situação muito a sério, sem mencionar nem mesmo nossa indústria, que também está submetida à pressão”, conforme informação divulgada pelo comissário europeu da energia, Dan Jorgensen.
Risco para lares e indústria
As declarações colocam em evidência o problema da pobreza energética, com um número elevado de famílias vulneráveis, e a pressão sobre setores industriais sensíveis ao custo da energia.
Especialistas avisam que preços elevados de energia tendem a agravar cortes de produção e elevar custos para consumidores, exigindo ações sociais e de mercado coordenadas.
Proposta de adiamento da lei do metano e reações
A fim de “tranquilizar o mercado”, o alto funcionário propôs adiar em um ano a entrada em vigor de uma legislação da UE sobre as emissões de metano vinculadas às importações de hidrocarbonetos, em um aceno às empresas do setor, pedido do presidente francês, Emmanuel Macron.
A legislação obrigaria as empresas importadoras de hidrocarbonetos na Europa a monitorar e declarar as emissões de metano, gás de efeito estufa extremamente contaminante.
Esta normativa é rejeitada por vários países produtores de combustíveis fósseis, liderados pelos Estados Unidos, que a consideram uma carga regulatória e sustentam que poderia frear suas exportações.
Organizações ambientalistas advertiram contra o adiamento, ao assegurar que esta demora não teria nenhum impacto nos preços da energia, mas representaria um novo golpe para a política climática europeia.
O que vem a seguir
O adiamento proposto ainda terá de ser submetido aos Estados, e ao Parlamento Europeu, antes de entrar em vigor, se aprovado, e surge como tentativa de reduzir volatilidade nos mercados de energia.
Analistas recomendam que, além de medidas de curto prazo para conter os preços elevados de energia, é necessário fortalecer políticas de eficiência, apoio a famílias vulneráveis e acelerar ações climáticas para reduzir riscos futuros.

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