Relatos de trocas de mensagens entre o empresário Daniel Vorcaro, seu motorista e o então presidente do BRB mostram entregas registradas entre fevereiro e julho de 2025.

As conversas citam uma “sacola”, um envelope e uma “encomenda”, e usam o termo “vinho”, que Vorcaro diz ser um código para propina.

O histórico reúne casos de entrega pessoal, remessa por avião e referências a pagamentos em criptomoedas, conforme informação divulgada pelo UOL.

Entregas registradas entre fevereiro e julho de 2025

As mensagens mostram que a primeira entrega ocorreu em 7 de fevereiro de 2025, antes do anúncio do negócio entre o BRB e o Master. Na conversa, Vorcaro pergunta onde “minha pessoa” poderia encontrar Costa no fim do dia, e Costa responde se perguntando, “Será que não podia pegar na casa?”.

No diálogo com o motorista, o presidente do BRB escreveu a instrução, “Paulo está indo pegar sacola”. À noite, o motorista avisou, “Dr Paulo já veio buscar”, e horas depois Costa escreveu a Vorcaro, “Estive com o Sidnei”.

Em meados de março, o motorista pede a Vorcaro o endereço de Costa, com a mensagem, “Depois mandar end. PH deixar encomenda”. Uma semana depois, o motorista relata, “Acabei de pegar o doc”, e recebe a ordem, “Vc vai pegar o vinho e levar mais tarde para a casa do paulo”.

No dia seguinte, o motorista avisa que o material foi entregue, “Está entregue”, e Costa agradece a Vorcaro, “Muito obrigado pelo vinho! A safra é bem especial? rs”. Em julho, Vorcaro instrui o motorista, “Pegar encomenda com berg e entregar pro paulo Henrique”, em referência ao piloto José Alfredo Berg Filho.

As mensagens ainda registram pedidos para que Costa “passe lá no Sidney amanhã”, e trocas em que Vorcaro pergunta repetidamente se Costa tinha ido “no Sidney”. Costa responde que “Tentei marcar a reunião com o Sidney, mas não consegui. Cheguei a enviar uma mensagem para o endereço eletrônico hoje à tarde, mas ele não respondeu”.

Delação premiada, criptomoedas e imóveis

Na proposta de delação premiada apresentada à Polícia Federal, Vorcaro afirma que parte da propina a Costa foi paga em criptomoedas, cerca de R$ 50 milhões. Segundo o empresário, os criptoativos foram gravados em pen drives com cerca de R$ 5 milhões cada.

Vorcaro diz ter entregado pessoalmente duas vezes e ter enviado outros pen drives “em envelopes encaminhados por avião para o motorista do Colaborador em Brasília/DF, chamado Sidney”. A versão mais recente da proposta reproduz as mensagens sobre o envelope de março, em que o funcionário diz ter pegado “o doc” e recebe a ordem de levar “o vinho” à casa de Paulo.

A terceira versão da proposta acrescenta que Costa também recebeu dinheiro em espécie, item que não aparecia nas propostas anteriores. Vorcaro afirma ainda que o restante da propina seria pago em imóveis, que não chegaram a ser totalmente transferidos, e que mensagens sobre seis imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões serviram de base para a prisão do ex-presidente do BRB.

A PGR rejeitou as propostas de delação de Vorcaro e de Costa, segundo as informações acessadas pela reportagem.

Defesas e desdobramentos

A defesa de Vorcaro afirmou que “repudia a divulgação de supostos anexos que estariam relacionados a tratativas de colaboração premiada que não foi celebrada”. Em nota, a defesa disse, “A defesa não confirma o conteúdo do material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas”.

A nota acrescenta que o material preliminar foi disponibilizado a um número restrito de autoridades que possuem dever legal de confidencialidade, e que “Daniel Vorcaro possui informações personalíssimas e relevantes para o caso e segue disponível para contribuir com as autoridades”.

A defesa de Costa não respondeu até o momento, conforme a apuração. As mensagens não registram o conteúdo da sacola, do envelope ou da encomenda, e as investigações prosseguem para apurar todas as circunstâncias e eventuais responsabilidades.


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