Associação Suíça de Futebol retira apoio a Gianni Infantino por dúvidas sobre governança no plano FFE e no caso Balogun, enquanto confederações exibem sinais mistos
A Associação Suíça de Futebol (SFV) fez um posicionamento oficial contra a reeleição de Gianni Infantino, citando falhas na liderança e na transparência da Fifa.
O comunicado, decidido em reunião da diretoria em 25 de setembro, aponta especificamente o projeto de venda de participações e a reversão da suspensão do jogador Folarin Balogun como motivos centrais.
Essas informações foram divulgadas pela SFV em nota pública, e trazem impacto simbólico por vir do país onde a Fifa e a Uefa têm suas sedes, conforme informação divulgada pela Associação Suíça de Futebol (SFV).
Por que a SFV retirou o apoio
A SFV argumentou que os eventos recentes levantam questionamentos sobre liderança, governança, transparência e os processos de tomada de decisão na Fifa. Segundo o texto, “Como essas questões não foram abordadas de forma convincente, não podemos justificar o apoio contínuo à candidatura de Gianni Infantino”, frase atribuída ao presidente Peter Knabel.
O comunicado lembra que a criação da Fifa Forward Enterprise, FFE, apresentada pela gestão de Infantino após a Copa do Mundo, previa a venda de 20% de participações da subsidiária para captar até R$ 21,5 bilhões. O projeto sofreu rejeição massiva e foi arquivado.
Outro ponto citado pela SFV foi a reversão da suspensão de Folarin Balogun, que, segundo a associação, deveria cumprir suspensão nas oitavas de final contra a Bélgica e acabou liberado para jogar após ações da Casa Branca e de Donald Trump.
Reações das confederações e apoios isolados
A Uefa, liderada por Aleksander Ceferin, manteve postura crítica desde o início da crise e propôs usar as reservas da Fifa para aumentar repasses às federações, ideia que recebeu aceno de Infantino para debate.
Apesar do atrito com a SFV e com parte da Uefa, Infantino tem conseguido apoios pontuais entre membros de confederações consideradas oposicionistas, como países da Uefa, AFC e Concacaf.
Entre as manifestações citadas, Azerbaijão e Letônia, ambos da Uefa, e Uzbequistão, da AFC, tiveram agendas com o presidente. No Caribe, a Jamaica também sinalizou apoio recentemente, e há unanimidade declarada em Conmebol e CAF.
O peso real dos posicionamentos e cenário para 2027
É importante lembrar que confederações continentais não votam diretamente na eleição da Fifa, apenas as 211 associações-membro detêm esse direito, cada uma com voto igual, independentemente do porte futebolístico.
Se houver dois candidatos, é necessária maioria simples, ou 50% + 1 dos votos válidos, equivalente a 106. Em cenário com três ou mais postulantes, o primeiro turno exige dois terços, ou 140 votos válidos; caso não ocorram esses resultados, elimina-se o menor percentual até restarem dois, que disputam por maioria simples.
Apesar do desgaste provocado pelo plano de investimento privado, a análise é de que Infantino ainda reúne força para se manter competitivo na disputa. As candidaturas serão inscritas até 28 de novembro, e a eleição está marcada para 28 de março, em Rabat, no Marrocos.
O que vem a seguir
Infantino abriu diálogo com as associações e propôs discutir novas propostas no Conselho da Fifa em 15 de outubro, em uma tentativa de apaziguar tensões e buscar respaldo.
Enquanto isso, a retirada do apoio da SFV marca um desgaste simbólico importante, mas o resultado prático dependerá do comportamento individual das 211 federações até o registro final das candidaturas.

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