O principal manancial que abastece a região metropolitana de São Paulo, o Sistema Cantareira, saiu da faixa 3, de alerta, e passa a operar na faixa 2, de atenção, a partir desta quinta-feira, 1º.
O avanço foi impulsionado por chuvas muito acima da média em setembro, que elevaram o nível do Cantareira para 41,1% no último dia do mês, após ter fechado agosto com 33%.
No entanto, a redução da pressão noturna nas redes de distribuição, conhecida como Gestão de Demanda Noturna, seguirá por oito horas, das 22h às 6h, conforme informação divulgada pela Arsesp e pela SP Águas.
Mudança de faixa, o que muda na captação
Com o Cantareira na faixa de atenção, a ANA e a SP Águas autorizaram que a Sabesp retire do sistema até 31 m³/s, aumento em relação aos 27 m³/s captados em setembro. A permissão maior dá mais margem operacional, mas não alterará de imediato a rotina dos usuários.
O Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, responsável pela Gestão de Demanda Noturna, mantém regras mais conservadoras para proteger os reservatórios no médio e longo prazo.
Por que a redução noturna permanece por 8 horas
A GDN é gerenciada pelo comitê estadual formado pela Arsesp e pela SP Águas, que afirma que uma mudança na gestão noturna depende de condições mais robustas do Cantareira e do Sistema Integrado Metropolitano, o SIM.
Segundo o comitê, para haver alteração na gestão noturna, o Cantareira precisa operar na normalidade, assim como o SIM, formado por sete sistemas: Cantareira, Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço.
Chuvas de setembro e números dos reservatórios
As precipitações de setembro foram decisivas para a recuperação dos mananciais. No Cantareira, o acumulado no mês foi de 282,5 mm, equivalente a 358,3% da média climatológica de 78,8 mm. No SIM, foram registrados 353 mm, correspondentes a 397,1% da média de 88,9 mm. No Alto Tietê, a precipitação chegou a 247,1 mm, ou 433,1% da média histórica para o período.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, os níveis também são superiores. O SIM passou de 31,46% para 55,27% no dia 30 de setembro, aumento de 23,81% em relação ao ano anterior. No Cantareira, o aumento foi de 12,74%, passando de 28,38% para 41,12%. O Alto Tietê subiu de 25,03% para 54,29%, diferença de 29,26%.
Os volumes atuais também estão acima das projeções das curvas de contingência, com o SIM registrando 55,27% frente a 33,86% projetados, e o Cantareira registrando 41,12% enquanto a curva de contingência indicava 23,77%.
Posição das autoridades e previsão para outubro
Sobre a postura adotada, Diego Domingues, diretor-presidente da Arsesp, afirmou, “Estamos cumprindo o previsto na Deliberação Arsesp, que tem o objetivo de proteger os reservatórios no médio e longo prazo, mantendo uma postura mais conservadora em relação ao relaxamento das medidas, mas sempre buscando o equilíbrio entre as medidas de segurança hídrica, com a preservação dos mananciais, e a prestação dos serviços à população“.
A diretora-presidente da SP Águas, Camila Viana, destacou o papel das chuvas e a necessidade de cautela, “Percebemos que houve uma antecipação do período chuvoso como consequência dos efeitos do El Niño, mas também tivemos variações importantes de temperatura, com dias de calor intenso. É importante que sigamos cautelosos, monitorando a situação e protegendo nossos reservatórios, até para garantir que tenhamos uma situação mais confortável também no médio e longo prazo“.
Desde o início da Gestão de Demanda Noturna, em agosto de 2025, a medida já contribuiu para uma economia estimada de mais de 209 bilhões de litros de água, volume equivalente ao consumo de 36 milhões de pessoas, informa a Arsesp.
A previsão do tempo para outubro aponta chuvas acima da média em todo o estado de São Paulo, principalmente nas regiões sul, litorânea e central, o que pode aumentar ainda mais os níveis dos mananciais nas próximas semanas.

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