Nova abordagem com registros do nível do mar revela sinais de deslocamento polar verdadeiro, TPW, durante o Jurássico e o Cretáceo, segundo estudo publicado na revista Science
A equipe de pesquisa desenvolveu um método que usa variações antigas do nível do mar para identificar episódios de deslocamento polar verdadeiro, ou TPW, na história da Terra.
Os resultados apontam para episódios intensos de TPW especificamente na fronteira entre o Jurássico e o Cretáceo e no meio do Cretáceo, fenômeno que pode ter sido relativamente rápido para padrões geológicos.
Os cientistas ainda não sabem todos os efeitos reais desses eventos sobre o clima e a vida, e o debate segue aberto, conforme informação divulgada pela Folha de S.Paulo.
O que é deslocamento polar verdadeiro, TPW
O deslocamento polar verdadeiro, conhecido pela sigla TPW, descreve a mudança na posição dos polos em relação à crosta terrestre, por efeito da redistribuição de massa no planeta.
Esse fenômeno “não é a mesma coisa que a inversão do campo magnético da Terra, que afeta a direção em que apontariam as agulhas de uma bússola”, a distinção ajuda a evitar confusões com as reversões magnéticas bem documentadas.
A explicação física envolve a interação entre a dureza da litosfera e a viscosidade do manto, pois “a combinação entre a dureza da litosfera e a viscosidade do manto, logo abaixo dela, fazem com que a reorganização da superfície do planeta não apareça com tanta clareza nas rochas. Mas as águas do oceano reagem à mudança de forma que, na prática, é instantânea”.
Como os pesquisadores detectaram episódios de TPW
Em vez de olhar apenas para propriedades magnéticas das rochas, a equipe liderada por Mathew Domeier, da Universidade de Oslo, analisou registros sedimentares de subida e queda do nível do mar.
Como o mar avança em regiões que se aproximam do Equador e recua nas que se afastam, essas marcas no registro geológico funcionam como um sinal mais imediato da mudança de orientação da Terra.
Episódios identificados na Era dos Dinossauros
Os autores observaram que a assinatura de eventos intensos de TPW “é particularmente clara durante a Era dos Dinossauros, especialmente na fronteira entre os períodos Jurássico e Cretáceo (grosso modo, há 140 milhões de anos) e no meio do Cretáceo (entre 100 milhões e 90 milhões de anos atrás)”.
Segundo os dados do estudo, “estamos falando de mudanças superiores a 1 grau na orientação da Terra ao longo de 1 milhão de anos”, uma magnitude que, embora lenta para humanos, é significativa em termos geológicos.
Ao questionar se a mudança poderia ocorrer rápido, os pesquisadores relataram que a resposta do estudo é “provavelmente sim”, e que pelo menos dois episódios ocorreram durante aquela era.
Possíveis consequências para clima e biodiversidade
O significado desses episódios, caso a interpretação esteja correta, ainda é incerto, “não sabemos” qual foi o impacto direto, mas os autores sugerem que podem estar ligados a mudanças importantes no clima e na biodiversidade.
Alterações na posição dos polos e na distribuição das massas continentais podem modificar correntes oceânicas, padrões climáticos e zonas de habitação, o que, em longo prazo, tende a afetar ecossistemas e espécies.
Próximos passos e debate científico
O estudo abre caminho para novas análises combinando registros sedimentares, modelos geofísicos e dados paleoclimáticos, e destaca a necessidade de checagens independentes das assinaturas de TPW.
A pesquisa foi publicada na revista Science, e a continuidade do debate científico deverá clarificar se esses eventos realmente moldaram partes importantes da história da Terra, incluindo a Era dos Dinossauros.

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