Bolsa em alta e dólar em queda ganham tração, com analistas prevendo reprecificação positiva de ativos, menor prêmio de risco e mais apetite a risco no curtíssimo prazo
O mercado financeiro deve abrir com maior apetite a risco e volatilidade nesta segunda-feira, com reflexos diretos na Bolsa e no câmbio.
O resultado parcial que dá vantagem a Flávio Bolsonaro ante Luiz Inácio Lula da Silva, e a ida de ambos ao segundo turno, não estava precificado e deve prolongar a alta dos ativos domésticos.
Analistas apontam que a combinação de expectativa de ajuste fiscal menor com Flávio, e de nomes de equipe econômica bem recebidos, tende a reduzir juros e favorecer a vitória de ativos de risco, conforme informação divulgada pela Folha Mercado.
Reação imediata do mercado e projeções
Segundo analistas consultados, a vantagem de Flávio tende a ampliar a tendência de Bolsa em alta e dólar em queda ao reduzir o prêmio de risco embutido nos juros longos. Fernando Siqueira, diretor da casa de análise Eleven, afirmou, “Os mercados já anteciparam um pouco deste movimento nos últimos dias, mas a força da votação da oposição deve gerar uma reação positiva amanhã. Liderando já no primeiro turno, as chances de Flávio ganhar são muito altas”.
Em campo, “Às 20h15, o contrato ativo de real futuro, com vencimento em novembro de 2026, subia 4,33%”. Para Leonardo Mendes, economista da Manchester Investimentos, “Na minha leitura, esse é o cenário de maior reprecificação positiva dos ativos brasileiros no curto prazo”.
Juros, crédito e efeitos sobre empresas
Analistas destacam que uma perspectiva de juros menores tende a reduzir a atratividade da renda fixa e deslocar recursos para Bolsa, ampliando o fluxo para ativos mais arriscados. A expectativa é de fechamento da curva de juros, com taxas menores nos próximos anos, valorizando títulos prefixados e IPCA+ de longo prazo.
Elisa Machado, economista-chefe da KAT Investimentos, resumiu o raciocínio, “O ponto central não é o nome do candidato, e sim a probabilidade de uma mudança na trajetória fiscal. Quando ela aumenta, o prêmio de risco embutido nos juros longos tende a ceder, o que ajuda o real e os ativos domésticos. Parte dessa melhora pode ser devolvida, porém, se a disputa voltar a se apertar nas pesquisas do segundo turno”.
Volatilidade, sinais externos e histórico recente
O principal indicador de percepção de risco do mercado brasileiro, o VIX Brasil, atingiu novos recordes com a incerteza: fechou em “32,77 pontos”, maior pontuação desde sua criação em 2024, superando o recorde anterior de “32,39 pontos”. Apesar disso, especialistas veem espaço para valorização dos ativos se a tendência fiscal se confirmar.
Na última semana, o Ibovespa “acumulou alta de 4,71%”, movimento que analistas atribuem à antecipação de posições para o resultado eleitoral. Na mesma semana, “o dólar subiu 0,62% e os juros de curto prazo caíram”. No pregão anterior ao 1º turno, a Bolsa encerrou com alta de 2,62%, aos “192.114 pontos”, e o dólar, em queda de 0,13%, cotado a “R$ 5,216”.
Além do cenário doméstico, dados dos EUA influenciaram o viés positivo, com criação de “29 mil postos de trabalho em setembro”, abaixo das expectativas, e taxa de desemprego em “4,2%”. O dado de agosto foi revisado de “162 mil para 133 mil vagas”, reforçando a percepção de desaceleração e reduzindo a probabilidade de alta adicional de juros pelo Fed, o que favorece ativos de risco globalmente.
Riscos e possíveis reações
Analistas lembram que surpresas políticas podem reverter parte da alta. Houve reação negativa quando áudios envolvendo Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro vazaram em maio, com o dólar saltando “1,6%” e a Bolsa caindo “0,6%”. Naquele mês, “estrangeiros tiraram R$ 13,3 bilhões do mercado acionário brasileiro”.
Economistas do UBS BB observaram que, “Na ausência de um grande acontecimento político, é difícil, segundo nossa análise, visualizar um caminho para Lula vencer com um empate no primeiro turno, dado que a maioria dos candidatos restantes está posicionada no centro-direita”. A composição do Senado mais à direita também é vista como uma surpresa positiva para o mercado, na avaliação de Marcos Praça, “A composição do Congresso altera a percepção sobre governabilidade e capacidade de aprovação da agenda econômica a partir de 2027. Foi justamente um dos fatores que ajudaram a explicar a reação positiva do mercado após o primeiro turno de 2022”.
Em resumo, o cenário que favorece Bolsa em alta e dólar em queda depende da percepção de melhora na trajetória fiscal e da manutenção da vantagem nas pesquisas, enquanto eventuais choques políticos ou mudança nas expectativas podem aumentar a volatilidade nas próximas semanas.

Deixe um comentário