Rali dos ativos e otimismo eleitoral deixam mercado em alerta, com espaço para realização após alta forte, enquanto investidores esperam detalhes das propostas de Flávio Bolsonaro
Conforme informação divulgada por participantes do mercado, a disparada da bolsa, a queda dos juros de longo prazo e o dólar a R$ 5 abriram espaço para alguma realização nesta terça-feira.
O rali dos ativos ainda pode ter fôlego, porque o favoritismo de Flávio Bolsonaro para o segundo turno aumentou o otimismo, com investidores vendo facilidade para aprovar reformas econômicas em caso de alternância de poder.
O cenário eleitoral, as divulgações de apoios e a leitura sobre equipes econômicas serão determinantes para a continuidade do rali dos ativos, e esse é o principal ponto de atenção do mercado hoje, conforme informação divulgada por participantes do mercado.
Por que o mercado reagiu com tanta força
O rali dos ativos foi impulsionado pelo avanço da direita no tabuleiro político, com o senador Flávio Bolsonaro, do PL, ganhando prioridade para o segundo turno. Ele já garantiu apoios de Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e do ex-presidente Michel Temer, e deve receber hoje o de Ronaldo Caiado, segundo a mesma fonte.
Participantes avaliam que, embora Flávio ainda não tenha apresentado medidas fiscais detalhadas, o momento será de conhecer melhor suas propostas e as equipes. Na avaliação do CEO da SulAmérica Investimentos, Marcelo Mello, o mercado prefere dar o benefício da dúvida ao candidato do PL, com a “esperança de que haja uma ortodoxia fiscal diante da alternância de poder”.
Números do pregão e dados que chamaram atenção
O impacto foi visível em preços e juros, com o Ibovespa encerrando em alta de 7,70%, aos 206.912 pontos, novo recorde de fechamento, conforme informação divulgada por participantes do mercado.
O dólar à vista recuou 4,12%, para R$ 5,0010, na maior queda diária desde 8 de junho de 2018. Nos títulos, os juros de longo prazo caíram 1,3 ponto percentual, e as taxas das NTN-Bs passaram a operar abaixo de 7% em diversos vértices da curva de juros reais.
Riscos, realização e a leitura dos gestores
Apesar do otimismo, gestores alertam para a magnitude da alta, abrindo espaço para realização. Um gestor, sob anonimato, afirmou, “tudo está subindo muito, mais do que acho correto”, apontando para possível correção em curto prazo.
O mercado, portanto, enfrenta um dilema, entre realizar parte dos ganhos após o rali dos ativos e manter posições diante da perspectiva de maior facilidade para aprovar reformas, se houver alternância de poder com um governo alinhado ao PL.
Cenário externo e a agenda que pode influenciar
Com atenção concentrada no cenário local, o ambiente externo tende a ficar em segundo plano. As ações europeias avançam, futuros de Nova York sobem e o Brent recua abaixo de US$ 100 por barril, segundo a mesma fonte citada.
Os rendimentos dos Treasuries registram alívio, apesar de turbulências fiscais e políticas na zona do euro. No calendário, os investidores devem observar discursos de dirigentes do Federal Reserve ao longo do dia, que podem recalibrar apetite por risco global e impactar o rali dos ativos no Brasil.
Além disso, o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, admitiu desgaste por estar “carregando nas costas a promiscuidade que ficou estabelecida” no Supremo Tribunal Federal, comentário que também repercute no ambiente político e, por consequência, no mercado.
Em suma, o rali dos ativos abriu espaço para realização, mas o otimismo eleitoral, sustentado por apoios e expectativas de políticas fiscais mais ortodoxas, pode manter o tom positivo nos próximos dias, desde que surjam sinais claros sobre medidas e equipes econômicas.

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